Cuidado pra toda vida: mais acolhidos, mais complexidade e menor mortalidade

Na semana passada compartilhei um indicador importante sobre o trabalho da Casa de Saúde Menino Jesus de Praga: a redução das internações hospitalares dos nossos acolhidos. Hoje quero falar de outro tema que exige muita responsabilidade e transparência quando tratamos de serviços de cuidado de longa permanência: os óbitos.

Cuidamos de crianças, adolescentes e adultos com deficiências neurológicas e necessidades de saúde extremamente complexas, muitos deles após longos períodos de hospitalização ou em situação de abandono, ruptura de vínculos familiares ou vulnerabilidade social.

O acolhimento institucional existe justamente para garantir proteção e cuidado quando as famílias não podem ou não conseguem oferecer as condições necessárias, seja por abandono, maus-tratos ou pela própria complexidade dos cuidados exigidos.

Por isso, em instituições como a nossa, infelizmente os óbitos fazem parte da realidade do cuidado de longa permanência.

Mas o que realmente importa observar é como esses indicadores evoluem ao longo do tempo e o que eles revelam sobre a qualidade da assistência prestada.

Nos últimos anos temos investido fortemente no fortalecimento da assistência em saúde dentro da Casa: fortalecimento da equipe de enfermagem, fisioterapia respiratória 24 horas, maior cobertura médica e implantação de tecnologias de monitoramento clínico.

Esses avanços têm contribuído para maior estabilidade clínica dos acolhidos.

Os números ajudam a explicar isso.

Em 2023, a Casa registrou 35 acolhidos e 5 óbitos, uma taxa aproximada de 14%. Em 2024, o número de acolhidos quase dobrou, chegando a 63 pessoas, com 9 óbitos, mantendo uma taxa semelhante. Já em 2025, mesmo com 64 pessoas acolhidas, registramos 4 óbitos, reduzindo a taxa para cerca de 6%.

Ou seja, mesmo com mais acolhidos e casos cada vez mais complexos, conseguimos reduzir pela metade a taxa de mortalidade.

Isso não significa que o cuidado elimina os riscos inerentes a condições clínicas graves e crônicas. Mas indica que estamos conseguindo oferecer mais estabilidade, mais segurança assistencial e mais qualidade de cuidado dentro da própria Casa.

Mais do que acompanhar indicadores, nosso compromisso é garantir que cada pessoa acolhida tenha vida com dignidade enquanto estiver conosco.

Na Casa, o cuidado é construído a partir do que há de melhor em termos de equipe assistencial e multidisciplinar, estrutura física adequada, tecnologias de monitoramento clínico, equipamentos especializados e um ambiente preparado para promover convivência, estímulos e qualidade de vida. Também assumimos a responsabilidade de representar e defender os direitos dos acolhidos, assegurando acesso a políticas públicas e proteção social.

Esse cuidado permanece presente inclusive nos momentos mais difíceis. Quando ocorre um óbito, a instituição organiza e acompanha todos os procedimentos necessários, como velório e sepultamento, garantindo respeito, acolhimento e dignidade até o fim.

Cuidar de pessoas com necessidades de saúde extremamente complexas significa estar presente em todas as dimensões da vida e também no encerramento dela.

É isso que buscamos oferecer diariamente: cuidado para toda a vida enquanto cada acolhido estiver conosco. Esse é o sentido mais profundo do nosso trabalho.

Na próxima semana vou compartilhar outro indicador importante para ajudar a compreender melhor o impacto do trabalho da Casa.

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