A Aura da Liderança

Às vezes, a maior virada de uma carreira acontece quando alguém descobre que liderança não é um cargo, e sim um campo invisível que se expande ao nosso redor.

Esta semana, durante uma conversa de alinhamento, vivi uma situação que me fez refletir sobre como compreendemos e praticamos a liderança.

Conversava com uma profissional em sua primeira experiência formal como líder, enfrentando inseguranças naturais de quem está descobrindo suas próprias fronteiras. Em determinado momento, sugeri que ela “expandisse o espaço” que ocupa como liderança. Na mesma hora, percebi que, para ela, esse “espaço” tinha ganhado outro significado: novos departamentos, novas áreas, novas responsabilidades formais.

Foi então que expliquei algo que talvez pareça simples, mas que raramente é dito:
expandir o espaço da liderança não é necessariamente assumir mais estruturas, mas sim ampliar a sua “aura” como liderança.

Essa aura é invisível, mas profundamente perceptível. Ela se manifesta quando uma pessoa:

• apoia seus pares sem precisar ser solicitada;
• se interessa genuinamente pelo que os outros fazem;
• oferece referências, escuta, clareza;
• torna-se ponto de confiança, mesmo sem estar hierarquicamente acima;
• conduz pelo exemplo, não pelo cargo.

Liderança, nesse sentido, deixa de ser um título e passa a ser um campo de influência, um espaço que se expande à medida em que a pessoa se posiciona com segurança, generosidade, responsabilidade e presença.

É assim que nascem líderes que inspiram, não porque ocupam grandes funções, mas porque criam um ambiente ao redor de si onde outros conseguem crescer, se organizar, aprender e pertencer.

A primeira liderança nem sempre está no organograma. Muitas vezes, ela começa exatamente assim: na decisão de ampliar a própria aura.

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