Cuidado, tecnologia e gestão: o que está reduzindo internações hospitalares na Casa de Saúde Menino Jesus de Praga

Ao longo das próximas semanas vou compartilhar alguns indicadores importantes da Casa de Saúde Menino Jesus de Praga, para ajudar a explicar melhor o trabalho que realizamos. Começo por um dos indicadores mais importantes do nosso modelo de cuidado: as internações hospitalares dos acolhidos.

Cuidamos de crianças, adolescentes e adultos com deficiências neurológicas e necessidades de saúde complexas, muitos deles após longos períodos de hospitalização ou sem condições de receber cuidado adequado em suas famílias.

Quando um acolhido precisa ser internado, isso gera impactos em várias dimensões:

1) para a pessoa acolhida, significa sair de um ambiente já adaptado às suas necessidades e enfrentar novamente um ambiente hospitalar;

2) para a Casa, cada internação exige a mobilização de cuidadores acompanhando o acolhido 24 horas por dia no hospital, garantindo continuidade do cuidado e segurança, porém, gerando custos;

3) e para o sistema de saúde, significa ocupação de leitos hospitalares e muitas vezes de UTI, que poderiam estar disponíveis para outras pessoas.

Por isso, um dos focos da Casa nos últimos anos foi estabilizar a saúde dos acolhidos dentro da própria instituição. Em 2025 implementamos melhorias importantes na assistência:

• fisioterapia respiratória 24 horas;

• ampliação da cobertura médica e novas especialidades;

• fortalecimento da equipe de enfermagem;

• capacitação das lideranças;

• investimento em monitores e ventiladores clínicos;

• implantação de uma central de monitoramento remoto;

O resultado aparece em um indicador muito claro: em 2024 registramos 907 dias de internação hospitalar entre nossos acolhidos. Em 2025 esse número caiu para 246 dias! Uma redução de aproximadamente 73%. Nos dois primeiros meses de 2026 registramos 30 dias de internação, mantendo a tendência de redução proporcional ao período.

Isso significa:

• mais estabilidade clínica

• menos intercorrências graves

• mais qualidade de vida para os acolhidos

• menos pressão sobre o sistema hospitalar

No fim das contas, reduzir internações não é apenas um número. É garantir que pessoas extremamente vulneráveis possam viver com mais segurança, mais conforto e dignidade. E também mostrar que modelos especializados de cuidado podem ajudar todo o sistema de saúde a funcionar melhor.

Nos próximos textos vou compartilhar outros indicadores importantes do trabalho dessa Casa que tem uma equipe e voluntários maravilhosos.

Crédito fotos: Carlos Macedo

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