Quantos anos você ainda gostaria de viver?

Entrevista com Gabriel Carneiro Costa, life coach e autor do livro “O Encantador de Pessoas”, para a Revista About Shoes, edição de maio de 2013

About | interview

Quantos anos você ainda gostaria de viver? Essa pergunta pode parecer bizarra e até um pouco incômoda, mas sejamos realistas: a sua estadia aqui na Terra terá um fim. Constatação óbvia? Nem tanto. Todos sabem que morreremos um dia, mas poucos se preocupam em tornar seus derradeiros anos realmente felizes e produtivos. Gabriel Carneiro Costa, um dos precursores do Life Coaching (Coaching de Vida) no Brasil e autor do livro “O Encantador de Pessoas” nos conta como a técnica pode ajudar a tornar esta passagem um tempo melhor para se viver.

Por Arno Duarte

Formado em Relações Públicas em Porto Alegre, Gabriel Carneiro Costa já teve uma empresa de gestão de marcas, com faturamento considerável, dedicando muitos anos de vida e saúde em um negócio de relativo sucesso, porém sem o melhor dos retornos: a felicidade. Ao longo de sua carreira como executivo do marketing, desenvolveu estudos paralelos sobre comportamento humano, equilíbrio e sentido da vida, realizando formação específica no Brasil e no exterior. Sabia que o que lhe faria feliz era trabalhar com as relações humanas, mas o medo inicialmente paralisava qualquer movimento de mudança. Gabriel é categórico ao afirmar que todos nós temos medos, porém, alguns lidam com o sentimento de forma a contornar o que lhes prende. Utilizando técnicas de coaching de vida, Gabriel elaborou um planejamento de forma a atingir seus objetivos, mesmo que para isso tivesse que perder e arriscar para no futuro voltar a ganhar. “Colocou a fralda”, como ele mesmo diz, vendeu a empresa ao sócio, replanejou a gravidez com a esposa, organizou as finanças, tudo de forma programada para partir no voo cego em busca da satisfação pessoal. E o medo? Continuava (e sempre estará) lá, mas a atitude na busca da felicidade havia mudado. Numa sociedade que cada vez mais busca resultados imediatos, pensar em longo prazo pode parecer demorado e cansativo demais, e é nesse momento que o Life Coaching entra na história. Ser feliz não é difícil, mas dá muito trabalho. Todos buscam a felicidade, mas poucos estão dispostos a percorrer o caminho. Embora pareça paradoxal, ser feliz é algo simples que nós mesmos complicamos. A tarefa do life coach (profissional de coaching) é conduzir um trabalho de simplificação da vida, e é neste momento que as pessoas encontram dificuldade. Para Gabriel, uma vida simples não significa uma simples vida. Não é necessário abrir mão de dinheiro e questões materiais. Mas sim, simplificar e dar o devido peso para os fatos passados, para os cenários presentes e para os sonhos futuros. Nesta entrevista, Gabriel Carneiro Costa fala da própria experiência em busca da satisfação pessoal e nos faz refletir sobre nossas vidas e em como podemos nos tornar pessoas autenticamente felizes.

Como você define a sua atuação como Life Coach?

O Life Coach é uma espécie de engenheiro da mudança. Não existe processo de coaching sem meta, plano de ação e mudança. O trabalho não é definir o que é uma vida feliz, mas sim estar constantemente atento se o cliente está agindo de forma a se aproximar do seu próprio conceito de uma vida mais feliz. Life Coaching é um projeto, com o objetivo de transformar, através da ação, a sua própria vida em um lugar mais satisfatório.

O Life Coaching está “na moda”? Porque as pessoas tem procurado mais esse tipo de orientação atualmente? A autoajuda não funciona mais?

Coaching como um todo está na moda. Estudo isto desde 2002, quando na época ninguém sabia o que era Coaching. Tive o privilégio de estudar com a paulista Rosa Krauz, que foi quem introduziu o tema no Brasil. Acredito que a procura pelo processo de coaching cresceu muito, pois está em total sinergia com os tempos modernos, afinal trata-se de um projeto de curto prazo, que necessita resultados rápidos. É um processo mais raso no que se refere ao autoconhecimento, porém de alto impacto no que se refere a agir em prol de uma meta definida. Sobre a autoajuda clássica, dos anos 90, acredito que realmente esteja perdendo espaço. O conceito de “5 dicas para ser feliz” é hoje altamente questionado. Particularmente, não acredito que alguém possa dizer como o outro deve viver para ser mais feliz. A ajuda de hoje é aquela que precisa, primeiramente, entender o que o outro deseja, e lhe ajudar dentro da sua própria crença a respeito dos resultados desejados. É uma espécie de sair do “você quer, você pode”, para um pensamento que repito frequentemente: “Uma vida feliz dá muito trabalho, mas não é impossível”.

Porque você afirma que ser feliz dá muito trabalho? Ser feliz não deveria ser “fácil”? Não basta levar a vida mais leve?

Lógico que deveria ser fácil. E ser fácil não significa não dar trabalho. Não existem trabalhos fáceis? Esta é a grande reflexão! Tornar leve é com certeza um dos caminhos, porém justamente o que não costuma ser fácil para as pessoas no mundo atual é tornar suas vidas mais leves. Nós complicamos demais a nossa jornada. Muitas pessoas me procuram para tornar sua vida mais feliz, e quando eu pergunto qual o seu conceito de uma vida feliz, não sabem responder. Acredito que estamos vivendo em um modo automático, dentro de um conceito social do que seja uma vida feliz. Enquanto for assim, não será simples viver em felicidade. É preciso, antes de tudo, que cada um possa definir o que é para si uma vida que faça sentido, e a partir disto, estar disposto às perdas e aos ganhos. Muita gente quer o destino, mas poucos querem percorrer o caminho.

Existe uma fórmula para a felicidade?

Bobagem! Como posso eu definir a fórmula da felicidade? Eu vivo a cada dia para descobrir o que me faz feliz, mas não faço ideia do que faça o outro ser feliz. E também considero importante definir, sem poesia, o que seja uma vida feliz. Vemos histórias de pessoas com vidas maravilhosas, nas quais infelizmente não são compartilhados as perdas e os erros que aconteceram neste caminho. E a partir deste modelo social de uma vida “perfeita” nos frustramos, pois na nossa vida existem problemas. A questão é que uma vida feliz não é viver 24 horas sorrindo. Uma vida feliz não é ausência de problemas, mas sim saber lidar com eles. Em minha opinião, uma vida feliz é quando no fim da semana, eu passo a régua e as minhas ações e meus resultados fizeram sentido, me fizeram bem, e me empurram para frente.

Nas suas palestras e cursos você pergunta quantos anos as pessoas ainda querem viver. É uma pergunta que incomoda quando refletimos sobre ela. Ninguém quer pensar que a morte um dia chegará. Como seus clientes encaram esta pergunta e que tipo de “faltas” aparecem nessas reflexões?

Gosto de ilustrar esta pergunta com uma vivência que faço em um dos workshops que ministro. É um curso de total imersão e em um dos momentos simulamos a própria morte. É um momento muito triste, onde a grande maioria das pessoas se emociona. Neste momento, eu nunca tive alguém que tivesse ficado mal pela casa ou pelo carro que não comprou. As pessoas ficam mal por experiências que não se permitiram, por coisas que não falaram, por pessoas que se afastaram. É isto que move a vida. Todo o resto é importante, mas é meio e não fim. Diante da visão de morte, podemos mudar a visão de vida. E neste momento que me interessa saber quantos anos há de vida restante desejada. O foco do Coaching de Vida é questionar que vida a pessoa ainda quer para este tempo que sobre. Para mim, pouco interessa de onde o cliente veio. Quero sim é saber para onde ele ainda quer ir.

Existem muitas pessoas frustradas profissionalmente e pessoalmente por não estarem realizando seus projetos. Porque existe esta dificuldade em colocar projetos em prática? Falta de dinheiro, tempo, conhecimento?

Medo. O medo é o sentimento que mais paralisa as pessoas. Dinheiro, tempo e conhecimento podem sim serem aspectos que dificultam um projeto, mas não são impeditivos. O medo impede, pois nos trava. Temos medo daquilo que não conhecemos. Temos medo daquilo que não temos certeza. Porém, o mais interesse é que não temos certeza de nada, pois a vida não é controlável, e o que podemos fazer é apenas gerencia-la. Um determinado grau, baixo, de medo é importante para que possamos fazer as devidas análises, definir planos, prever riscos e etc. Mas chega um momento em que o importante é “colocar a fralda” e ir. Todos nós temos medo. Porém o que muda de uma pessoa para outra, é que existe um grupo que decide agir, mesmo com medo. Lá na frente, os pontos se ligam e a jornada faz sentido. Obviamente nem tudo sai como planejado, mas tudo aquilo que é feito em prol de sonhos e realizações, acabam sempre fazendo algum sentido.

Como as pessoas lidam com a frustração de não terem mais tempo de vida para realizar planos? Há como remediar de alguma forma? Você já teve clientes com expectativa de vida curta e com muitos projetos não realizados?

Esta para mim é a pior dor. Aquela quando nos deparamos com o fato de não ter mais tempo para viver e se permitir algo. Porém, é importante entender como estas frustrações podem ser resignificadas e ao invés de ficarmos cristalizados em frustrações passadas, colocarmos energia no que ainda pode ser feito. E sempre há o que ainda possa ser feito. Depois que atendi um senhor, de 82 anos, com uma doença terminal que lhe dava dois anos de perspectiva de vida, mudei todo o meu conceito de mudança com relação à idade. Ninguém mais me convence que não há idade para mudar. Sempre há. E, aliás, sempre devemos estar dispostos a mudarmos. Muita gente tem medo de mudança, mas eu tenho medo é justamente das pessoas que não mudam. Mesmo na perspectiva de apenas dois anos restantes de vida, ainda assim há muito tempo para se permitir novas experiências que ampliem o nosso próprio sentido da vida que vivemos.

Você tinha uma agência de marketing e publicidade e mudou radicalmente de área. Quais eram seus maiores medos nesta mudança e como o Life Coaching te ajudou no processo?

Tive todos os tipos de medo: de dar errado, de não saber conduzir, de perder dinheiro, de ficar pobre, de me arrepender, de ser criticado… Assim como tive todos os sintomas: falta de ar, diarreia, dor de cabeça, dor de estômago, insônia, palpitação… Somos todos iguais nos sentimentos. Mas somos diferentes na maneira como conduzimos aquilo que nos acontece. Eu contratei uma profissional de Coaching que me ajudou a montar o plano e me encorajar a agir. Sempre que temos um plano, a mente se acalma.

Você considera que já chegou ao seu ponto “B” profissional e pessoalmente? Qual é o próximo ponto?

Tecnicamente, entendo que o ponto “B” deva ser um grande sonho, um grande norteador. E para chegar neste ponto, temos vários pontos A’s (A1, A2, A3), que são como pequenas metas que me deixam mais próximo do ponto B. Desta forma ainda não cheguei ao meu ponto B. Ainda falta muito, mas ao mesmo tempo já faltou mais. Atualmente estou focado na disseminação do meu trabalho com o livro “O Encantador de Pessoas” e em palestras por todo Brasil. Nos últimos anos cumpri diversas metas e sonhos pessoais, e é justamente este reconhecimento que me dá energia para seguir diante dos problemas e frustrações que também ocorreram, ocorrem e ocorrerão. Mas para compartilhar uma meta específica, pretendo chegar em 30 mil cópias vendidas do livro até o fim de 2013.

Se você pudesse fazer um contrato com Deus, quantos anos você ainda gostaria de viver e o que ainda quer realizar até lá?

Passo o dia inteiro fazendo esta pergunta e confesso que nunca haviam me feito. Mas tenho o meu contrato com as crenças de energia que me guiam. Ainda quero, pelo menos 67 anos de vida pela frente. É muito tempo e não tenho a total clareza do todo que posso realizar. Mas sem dúvida, nesta lista não pode faltar experiências que ainda quero viver com minha família, o prazer de compartilhar um casamento feliz por tantos anos, ver meu filho se realizar naquilo que ele escolher, disseminar o meu ponto de vista ao redor do mundo e compartilhar uma corrente do bem.

SAIBA MAIS:

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s