Em busca do equilíbrio

Reportagem publicada na Revista Expansão RS, edição de dezembro de 2014

Em tempos em que as pessoas andam cada vez mais à procura de satisfação, encontrar um trabalho que contribua para a felicidade é sinônimo de realização pessoal

Por Juliana Berwig

“Escolha um ofício que você ame e não terá de trabalhar um único dia de sua vida.” O famoso ditado, proferido pelo pensador Confúcio muito antes da implantação dos departamentos de recursos humanos nas empresas, parece que nunca fez tanto sentido. Com rotinas cada vez mais exaustivas, a pressão constante por resultados e um clima de competição permanente no ar, muitos profissionais andam com pouco tempo para lembrar os motivos aos quais os levaram a seguir a carreira que optaram. Mais do que isso: sentem-se insatisfeitos e reclamam de aspectos como falta de reconhecimento no ambiente corporativo ou baixa remuneração para o cargo que ocupam. Apesar de todos os percalços, especialistas mostram que é possível encontrar a felicidade no trabalho e ainda ser mais confiante em relação à própria existência após o expediente.

Visão dos analistas

De acordo com um estudo realizado pela Gallup – uma das maiores empresas de pesquisa de opinião do mundo –, a maioria das pessoas está insatisfeita com seu emprego. O relatório apontado pela empresa mostrou que 72% das pessoas não encontram prazer na atividade que exercem ou têm problemas relacionados ao ambiente de trabalho. Mais do que isso: 18% estão ‘ativamente desengajadas’ e demonstram até mesmo interesse em prejudicar a própria empresa em que atuam.

Na visão dos analistas do estudo, uma em cada cinco pessoas está desmotivada, aspecto que não está relacionado aos baixos salários, mas à falta de vocação para a atividade desenvolvida. O índice de pessoas engajadas – ou seja, que realmente estão entusiasmadas com seu trabalho – varia ao ano dentro de uma taxa de 28% a 30%, ainda de acordo com a pesquisa, que ouviu pessoas de diversas partes de planeta.

Plano estratégico

Em meio às tantas perspectivas negativas, uma dúvida paira na cabeça de quem ainda teme as noites de domingo e seu anúncio de que a segunda-feira está chegando: é possível ser feliz no trabalho? Para Arno Duarte, consultor da Favoo Desenvolvimento Humano, o assunto tem um caráter muito pessoal e deve ser encarado a partir de uma análise profunda de desejos e motivações.

“Nenhuma escolha é eterna, por mais certa ou errada que tenha sido no passado. O presente é hoje e o futuro somos nós que construímos. Se algo não vai bem, está em nossas mãos transformar o que queremos viver em felicidade”, destaca o consultor. “A partir desta identificação, é preciso avaliar um contexto mais amplo de necessidades e vontades, e, então, traçar um plano estratégico pessoal com o objetivo de se sentir feliz por inteiro”, acrescenta. Ele chama a atenção para o fato de que muitas pessoas insistem em acreditar que é possível separar vida pessoal e profissional.

Poder das escolhas

Em recente palestra no Congresso Estadual sobre Saúde e Trabalho, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH/RS), o especialista em gestão de pessoas Nelson Bittencourt também realçou o fato de que muitas pessoas ainda não pararam para reavaliar suas escolhas profissionais e se acomodam em carreiras pouco satisfatórias. “A felicidade não está em lugar algum a não ser no seu cérebro, aliás, é ele quem promove a produtividade. As pessoas que não sabem por que trabalham não são felizes, caminham em direção ao nada, pois quando não se sabe para onde se quer ir, qualquer lugar vai servir”, revela.

O consultor ainda afirma que provocar a mudança é um processo doloroso e necessário, assim como saber diferenciar trabalho e emprego. “Enquanto um é fonte de vida, o outro é fonte de renda. O ideal é que os dois processos estejam unidos”, enfatiza. Para ele, é preciso menos drama e mais comédia para enfrentar o problema da falta de satisfação com a vida profissional. “Chega de ‘mimimi’, vamos adotar o ‘hahaha’. Se o trabalho não está trazendo felicidade, procure encontrar um caminho diferente”, aconselha.

Para deixar o marasmo de lado – e saber equilibrar trabalho e emprego em uma mesma realidade – o especialista aconselha que as pessoas se empenhem em descobrir um novo ponto de partida. Desta forma, segundo o consultor de recursos humanos, o indivíduo deve perceber que as metas desejadas estão mais perto do que se imagina e que podem ser facilmente alcançadas a partir de alguns pequenos ajustes na rotina. “A frase – querer não é poder – está equivocada. Se eu apenas quiser algo, jamais chegarei perto do meu desejo”, ressalta.

Papel das empresas

Em um mundo cada vez mais dinâmico e conectado, até mesmo as relações entre empresas e empregadores andam passando por mudanças que não podem ser ignoradas. Se no passado, manter-se no trabalho a todo o custo – mesmo alheio à própria infelicidade – era a regra, nos dias de hoje o jogo mudou e os colaboradores querem se sentir parte de algo maior. “As gerações atuais não estão mais em busca de reconhecimento financeiro e tampouco de elogios.

Os profissionais do futuro e do presente são autoconfiantes e estão atrás de uma satisfação quase que espiritual pelo trabalho que realizam. A economia é estável e há alta oferta de serviço para quem tem vontade e quer empreender”, comenta Duarte. Com o dinheiro deixando de ser o objetivo principal, o ambiente de trabalho tem um peso redobrado, assim como a escolha certa de qual caminho seguir na carreira.

Apesar da insatisfação com o trabalho partir de questões pessoais, muitas companhias estão se empenhando em trazer mais motivação para a vida dos funcionários. Cada vez mais na pauta dos empregadores, ações como horários flexíveis, aperfeiçoamento pessoal e até mesmo benefícios como massagens e descansos atrai quem busca um trabalho em sintonia com uma vida mais saudável. “Ninguém mais quer ser parte de uma boiada, pois somos seres únicos e queremos ser tratados como tal. Além da questão da conexão entre propósito empresarial e individual, acredito que as empresas, na figura de seus líderes, precisam atuar mais no compreender as necessidades específicas de cada pessoa”, enfatiza Duarte. Aos colaboradores, cabe o compromisso de dar o melhor de si e o mais importante: estar em sintonia consigo e com o resto da equipe.

EXPANSAO-DEZ14-FELIZ

Por Arno Duarte, consultor da Favoo Desenvolvimento Humano:

  1. Faça reflexões diárias sobre como está a sua felicidade nas pequenas atitudes da vida – É importante praticar exercícios simples, como colocar a cabeça no travesseiro antes de dormir e pensar sobre o seu dia, perceber coisas que você fez e não gostou, ou com o que se sentiu bem, fará você ter novas atitudes no dia seguinte, no outro e no outro. Quando não percebemos como estamos nos sentindo, seguimos levando a vida como se tudo estivesse bem, e deixamos de agir em direção a algo que nos satisfaça.
  2. Busque formas de entender melhor a si, sua origem, como lidar com as emoções, o que lhe motiva e faz o seu coração vibrar – Ações como terapia, análise, coaching ou outros processos de autoconhecimento podem ajudar a ter um propósito mais claro de vida.
  3. Conte o seu plano para outras pessoas – No momento em que compartilhamos nosso planejamento e propósito, novas ideias e alternativas surgem para nos ajudar a atingir os objetivos.
  4. Tenha um plano de vida e carreira, com metas, objetivos e ações bem definidas, alinhado ao seu propósito – Se você não tem um caminho definido, você vai acabar tomando um caminho qualquer. Nem sempre este será o que o levará até a sua felicidade. Portanto, assuma as rédeas e direcione a sua energia para a rota adequada ao que o faz sentir-se bem.
  5. Seja o ator principal do roteiro da sua vida – Considere que qualquer coisa é possível de ser realizada, e que a condição para isso está em suas mãos. Deixe de se colocar em posição de vítima, atribuindo aos outros os seus insucessos, e assuma a responsabilidade por suas decisões, sejam elas certas ou erradas. O nível da sua felicidade será diretamente proporcional ao nível de protagonismo que você assume em sua vida.

Faça download do PDF da reportagem clicando na imagem abaixo:
EXPANSAO-DEZ14-CAPA2

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