Ensimesmado
Postado no 6 de dezembro de 2016 Deixe um comentário
Por Arno Duarte
Contou-me um amigo, na casa dos 35 anos, que estava sem rumo na vida, já não tinha certeza de suas certezas, repensava seu passado e não enxergava o futuro. Aliás, seu futuro, em teoria, era tão concreto e rígido, que só em falar a respeito, se partia em pedaços. Era um futuro forjado de expectativas passadas, feito de material não renovável. A vida é maleável, se transforma constantemente, e o futuro será o que queremos que seja.
Construímos o futuro com base em nossos aprendizados e experiências do passado. Quanto mais coisas agregamos em nossa bagagem, mais elementos carregamos para a construção do caminho que vem. Crenças, histórias, sentimentos, decepções, mal-entendidos, histórias não contadas, tudo isso vai moldando nossas escolhas e direcionando quem queremos nos tornar.
O futuro do meu amigo era concreto nas palavras. Sabia onde queria chegar, o que queria fazer, com quem queria trabalhar, o que queria vestir. Mas esqueceu-se de checar neste futuro quem ele queria ser, o que gostaria de sentir, que nível de relações construiria com as pessoas.
De pouco adianta vislumbrar um caminho com base no que fomos. É preciso avaliar constantemente o que sou hoje, como me sinto no agora, que presente é este que estou vivendo, se estou pleno de mim mesmo, se sou neste instante aquele cara que eu admiro. Algo me falta? O mundo sabe quem eu sou? Eu tenho receio que descubram alguma coisa da qual eu me envergonho?
Na estrada dos tijolos amarelos, o desafio principal é conectar com o que faz de você quem você é. Identificar o que não te permite ser o seu melhor, e assumir coragem para fazer o que te faz bem, colocar o mundo no seu devido lugar e girar a roda no seu ritmo. É não nadar contra a corrente, mas deixar-se levar pela correnteza, aceitando o fluxo da vida e navegando na tua essência.
Do contrário, o esforço para ser diferente, mudar-se para ser aceito, só te levará a uma busca sem fim, frustrante e de culpa. A resposta, por mais batido que seja o ditado, está dentro de você. Conte ao mundo a sua história, orgulhe-se de quem você foi, do que você é, aliás, todos já enxergam isso. Querer esconder é inútil.
Seja transparente, não seja semente, seja flor. Aproveite os raios do sol, as gotas do orvalho, saia de baixo da terra e deixe-se ser visto. A vida é mais bela na fragilidade, e também nos conflitos, nos confrontos e na resolução deles. A vida é para ser vivida e não guardada para si, emsimesmado.
Artigo publicado na revista About Shoes, em novembro de 2016:
ARNO DUARTE é coach, mentor e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano, além de co-fundador do movimento Geração Mais Amor e do programa Hands On Experiences. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.
Geração Mais Amor em Pantano Grande/RS
Postado no 10 de agosto de 2016 Deixe um comentário
A 2ª Edição do Projeto Geração Click de Pantano Grande foi um sucesso! O evento aconteceu no dia 10 de agosto, no CTG Carreteiros da Saudade. Participaram 600 alunos do 7º, 8º e 9º ano e Ensino Médio. O objetivo do evento foi aproximar empresas e alunos por meio de palestras, case de empreendedorismo e mostra de oportunidades de trabalho e de empresas da região de todos os setores (Indústria, Comércio e Serviços).
Arno Duarte e Leonardo Dutra Guedes facilitaram sobre o tema “Geração Mais Amor: Empreendendo a partir do Coração”, mostrando que cada um de nós precisa se conectar com o amor próprio em primeiro lugar, para a partir daí, se conectar verdadeiramente com o outro, gerando empreendimentos e transformações no mundo com o qual nos relacionamos.
A realização da ONG Foco Empreendedor e Prefeitura Municipal de Pantano Grande contou com o apoio do Sinplast – Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do RS, UNICAL, STARA, Ceel Arroz, Popular Jóias, Agrocampo, Herics idiomas, Sulprint Embalagens, Prato Feito, Sinduscon – Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul, ACI – Associação Comercial e Industrial de Pantano Grande e Agência FGTAS/Sine.
Conheça a ONG Foco Empreendedor: http://www.focoempreendedor.com.br/
Sobre adotar: carta ao Papai Pop
Postado no 22 de junho de 2016 Deixe um comentário
Por Arno Duarte
Marcos Piangers, nem todo o pai adotivo adota porque sofreu por não engravidar. Nem todo pai adotivo adota por ser um plano B para ter um filho. Nem todo pai que adota, ama porque foi sofrido ou difícil demais. Nem todos adotam porque a inseminação não coube no orçamento.
Pela lógica apresentada, você nunca adotaria (ou precisaria adotar) uma criança, pois já adotou os teus filhos biológicos. A coisa não é tão prática assim.
Também adotamos porque sentimos um chamado do universo, da natureza. Ouvimos um eco no coração e temos certeza de que o fruto do nosso amor está em algum abrigo por aí pensando na gente, sonhando em como será lindo o dia em que nos reencontraremos. Meu filho só nasceu na casa errada e precisei correr para encontrá-lo.
Eu não rezei por um milagre. Eu fui atrás.
Como pai que eu queria ser, tive que gerar meu filho entre certidões de bons antecedentes, comprovantes de residência, contracheques, entrevistas com assistentes sociais, provar que eu sou uma boa pessoa, e esperar bastante, uma gestação que durou muito mais do que nove meses.
Adotar pode ser apenas e simplesmente a escolha de alguns. Não é só a consequência de uma frustração biológica, mas sim o resultado da evolução do amor.
Mas eu sofro sim. Sofro por saber que existem tantas crianças e adolescentes talentosos e com futuros brilhantes por aí, aguardando pais que os vejam como primeira opção! Pais que queiram adotar também os maiores de três anos, os pretos, os deficientes, os que tem alguma doença, os indígenas. Pais que queiram sentir verdadeiramente o amor.
Adotar é trabalhoso e emocionante. Meu sonho para um melhor mundo é que mais pessoas se contagiem no espírito da adoção, casais com filhos, solteiros, casais sem filhos, jovens, idosos, pessoas que enxergam o futuro.
Adoção não é remendo. Adotar é para todos. Nossa obra prima é o amor.
(Resposta ao texto de Marcos Piangers, publicado em 21 de junho de 2016)
ARNO DUARTE, além de papai adotivo, é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano e mobilizador do movimento Geração Mais Amor. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.
Seja impecável com os seus sonhos
Postado no 17 de junho de 2016 Deixe um comentário
Sonhar é fácil, difícil é acreditar que sonhos são possíveis e até mesmo falar sobre nossos sonhos. Talvez seja mais tabu falar sobre sonhos, do que conversar abertamente sobre sexo. Qual o teu sonho mais precioso?
Por Arno Duarte
Sonhar é proibido, é imoral. Como posso sonhar em estar num lugar especial enquanto tem tanta gente precisando de ajuda por aí, enquanto ainda estou estudando, enquanto a economia está passando por um momento complicado, enquanto preciso lutar diariamente para pagar o aluguel?
Sonhar com um melhor mundo, uma vida melhor ou um espaço de paz, pode ficar para depois que eu resolver os problemas de hoje. E assim seguimos a vida, lutando pela sobrevivência, vivendo um dia de cada vez, esperando pelo último.
PERMITA-SE SONHAR
Pensamos que é “viagem”, que falta mais estudo, que precisamos de mais tempo, que precisamos de mais dinheiro, e acreditamos que com todas essas faltas não temos o direito para sonhar.
Mas vou te contar um segredo: sonhar é permitido, mesmo se você se sente incompleto. Em verdade, sonhar é o que vai te completar!
Permitir-se sonhar abre espaço para possibilidades. Pesquise, estude, descubra o que você tem dúvidas e explore suas vontades. Compartilhe seus sonhos, se conecte com outros sonhadores (neste momento pode ter algum bem ao seu lado) e busquem juntos a realização.
FALAR É FÁCIL ENTÃO…
Sim, falar é fácil. Difícil é se mover, desdobrar o sonho em ações práticas que o tornem real e possível. Porque o sonho é só o ponto de partida, ele não é o ponto de chegada!
Para sentir o sonho você precisa conectar com quem você é hoje, fazer as pazes com a sua história, recarregar as baterias da sua criatividade e, somente a partir disso, começar a viver o futuro, assumindo a responsabilidade pela escolha do seu caminho.
O sonho, enquanto substantivo, é o seu Deus, é o seu ser essencial, é um estado de espírito, é a coisa mais preciosa para você, é um filho concebido pelo teu querer, é o despertar para a vida que você quer viver.
Sonhar, como verbo, é a ação, é desenrolar e agir sendo o teu melhor, é sair da zona de conforto e empreender-se constantemente, sentindo o movimento de transformação da sua realidade no agora.
Respire, inspire e transpire o seu sonhar. Permita-se, seja impecável com os seus sonhos.
MUITO LEGAL, MAS COMO COMEÇAR A SONHAR?
Por tudo isso sou tão apaixonado pelo coaching, um processo que possibilita três questões essenciais para o resgate e realização dos sonhos: autoconhecimento, estratégia e colaboração.
Se você não se conhece, terá dificuldades em traçar uma estratégia e sem se relacionar com os outros terá dificuldades em colocar em prática a sua estratégia. Se falhar a estratégia vai faltar ação.
É um círculo vicioso que com a parceria de um profissional coach pode se transformar num círculo virtuoso! Leia sobre o processo de coaching oferecido pela Favoo.
Quero falar um pouco mais desses três pontos em um próximo post, abordando individualmente cada um, como os três se relacionam e de que forma podem te ajudar na descoberta do teu caminho.
“Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada”
Maria Bethânia, Cântico Negro
Artigo publicado na revista About Shoes, em junho de 2016. Faça download do PDF da reportagem clicando na imagem abaixo:
ARNO DUARTE é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.
Amores imperfeitos
Postado no 22 de março de 2016 Deixe um comentário

Por Arno Duarte
Éramos dois. Ela, uma mulher gata, madura, segura de si, teimosa, mas carinhosa. Eu, um cara normal, bonito talvez, inseguro, cheio de manias, mas com boas intenções. Um amor imperfeito.
E mesmo não sendo perfeito, escolhemos ser pai e mãe do Cadu, pois pais e mães foram feitos para errar, para serem ultrapassados, para ficarem com vergonha deles na entrada da escola.
Não contentes, queremos mudar a ordem natural das coisas, fazer tudo correto, ter a resposta certa, atender no prazo, superar as expectativas, correr contra o relógio, ser o melhor pai e mãe do mundo e ainda continuar os mesmos namorados de antigamente. Mas nada será como antes.
Quando já não somos só dois a vida de amantes precisa ser reaprendida: os dias, as noites, as madrugadas, o trabalho, as folgas, as férias. Tem sempre um ponto de interrogação na frase. Às vezes umas três exclamações.
Deixamos de viver só pelo amor romântico. O pequeno sonho de nove anos que uniu nossos sorrisos e lágrimas, também tornou nosso amor mais paciente, maduro, sereno, sincero, responsável e brincalhão.
Nosso amor imperfeito evoluiu. Passamos a viver alegrias, saudades, surpresas, questionamentos, reflexões e transformações, agora aceitando nossos defeitos e limites.
Somos e sempre seremos nós mesmos.
Apaixonadamente imperfeitos.
ARNO DUARTE, além de papai adotivo, é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano e mobilizador do movimento Geração Mais Amor. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.
Ser pai em cinco sentidos
Postado no 16 de março de 2016 Deixe um comentário
Pais não foram feitos para ficar tanto tempo longe dos filhos. Um dia, dois dias no máximo, é aceitável. Achamos que a tecnologia ajuda a encurtar as distâncias, mas uma mensagem de áudio no whatsapp ou alguns minutos de conversa no facetime nunca vão substituir o gostinho de um abraço.
Esperei quase nove anos para conhecer meu filho, e agora, parece que minhas necessidades básicas mudaram, e meus sentidos estão mais conectados com coisas que antes eu nem sabia que existiam.
Preciso sentir o cheirinho dele de manhã antes de ir pra escola. Preciso ouvir suas histórias mágicas pra viajar junto com ele para mundos de fantasia. Preciso vê-lo faceiro aprendendo a andar de bicicleta e descobrindo a delícia que é o vento batendo em seu rosto. Preciso afofar seus bracinhos pra me dar conta do quanto ele é frágil e sensível. Preciso olhar em seus olhos pra enxergar o brilho do futuro e as infinitas possibilidades que borbulham em sua alma.
Também preciso beijá-lo bastante, mesmo sabendo que nem todos os beijos do mundo dão conta de dizer o quanto eu amo esse pequeno ser que transformou todos os meus dias em uma contagem regressiva pra abraça-lo mais uma vez.
ARNO DUARTE, além de papai adotivo, é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano e mobilizador do movimento Geração Mais Amor. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.
Sobre viver
Postado no 14 de janeiro de 2016 Deixe um comentário
A chegada de um filho, ainda mais um que chega do dia para a noite, provoca reflexões profundas a respeito de escolhas do passado e para o futuro. Minha vida não é mais só minha e o conceito de sobreviver pode ter um sentido bem mais amplo do que o conhecido.
Por Arno Duarte
Sempre fui um cara muito preocupado com dinheiro. Desde que comecei a trabalhar, nunca passei por aperto financeiro, mas também, meu foco era exclusivamente o trabalho. Eu tinha pânico de passar por alguma necessidade, principalmente, de não ter onde morar.
Para não chegar a esse ponto, eu trabalhei muito e acabei por esquecer de viver. O lado bom é que guardei dinheiro, e com 22 ou 23 anos eu já tinha comprado um apartamento. Depois vendi e construí uma casa, depois vendi e comprei outro apartamento. Essa sempre foi a minha necessidade mais básica, que garantiu a sobrevivência do meu inconsciente.
Nos últimos anos relaxei mais com essa coisa toda de dinheiro e diminuí o peso que o trabalho tem na minha vida. Não parei de trabalhar, claro, apenas procuro aproveitar mais os dias, ao mesmo tempo em que desenvolvo atividades que me proporcionam certo conforto e sustento financeiro.
Há 30 dias me tornei papai adotivo. Ao me deparar com a situação de ter uma criança de oito anos em casa, e com a grata função de alimentar, vestir, educar, brincar e cuidar, a busca por saciar as necessidades básicas e o instinto de sobrevivência voltaram a gritar dentro de mim.
Até então, eu era dono apenas do meu nariz, cuidava das minhas continhas, fazia o que eu queria na hora em que eu queria. Tinha uma certa comodidade construída ao longo do último ano, depois que me tornei um profissional autônomo.
Sigo sendo dono do meu nariz, mas, e o outro narizinho adorável que me olha com olhar de admiração a todo instante?
Hoje me pergunto se minhas escolhas foram as melhores, se preciso rever algumas delas, que alternativas tenho para prover tudo o que meu filho precisa sem deixar de ser quem eu sou. Já me passou pela cabeça voltar para um emprego formal, ter a estabilidade da carteira assinada, o plano de saúde, seguro de vida, previdência social e o dentista pagos pela empresa. Até o auxílio funeral estaria garantido.
Nesse vai e vem de sentimentos sobre necessidades básicas, me dou conta de que não sou apenas responsável pela sobrevivência do pequeno Cadu. Meu papel vai além disso. Preciso também passar valores e ser uma referência para ele. Afinal, eu sou o cara que diz que o sentido da vida é amar. Amar quem sou, o que faço, com quem me relaciono e o que quero ser.
De que adiantaria ser “bem-sucedido”, ter garantias e estabilidade, e também ser infeliz, triste, preso em um salário. Que aventuras coloco em minha vida que podem inspirar meu filho a querer ser o seu melhor, voar livre pelo mundo, sendo também o dono do seu próprio nariz.
Outro dia ele me disse: “é bom ser teu próprio chefe, né pai”? Na hora eu pensei, sim, eu defino minhas metas, eu trabalho para atingi-las, eu recebo pelo sucesso ou fracasso dos meus projetos. Mas o melhor de ser chefe de si mesmo é poder viver a vida que eu quero, ser o pai que preciso ser sem deixar de ser o homem que quero ser.
Impossível garantir que este é o ponto final desta história, que nunca vou mudar de ideia, que dessa água não mais beberei. Só sinto que esse é o caminho que eu quero seguir agora, e cada um com o seu caminho, tudo bem se o seu é outro. O meu caminho é o de aproveitar o momento para ser mais eu, ser mais pai, ser mais amigo, ser mais parceiro.
Quero falar mais sobre viver do que sobreviver.
ARNO DUARTE, além de papai adotivo, é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano e mobilizador do movimento Geração Mais Amor. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.
Liberdade de ser quem se é
Postado no 8 de janeiro de 2016 Deixe um comentário
Você já deve ter ouvido aquelas frases prontas, do tipo: “precisamos mudar a educação para o mundo melhorar”, blá blá blá, mas você já percebeu que seus filhos, sobrinhos, primos, e até você na universidade ou pós-graduação, seguem estudando no mesmo modelo de ensino que seus avós frequentaram? Como mudar se estamos presos a um modelo que nunca muda?
Artigo publicado na revista About Shoes, em janeiro de 2016, por Arno Duarte
Quanto mais estudo sobre educação e comportamento humano em comunidades e organizações, mais percebo que as soluções que a sociedade precisa para superar a diversidade de crises que enfrenta, passam, necessariamente, por aprendermos desde a infância, sobre a “liberdade de ser”.
O sistema educacional não permite que sejamos quem queremos ser. Ele foi concebido para formar trabalhadores que sustentem o modelo de produção de bens e serviços. Em verdade, nem bem sabemos que podemos ser diferentes do que nos ensinam. Há um desrespeito a nossa curiosidade e individualidade desde cedo.
A natureza questionadora da criança é sufocada pela formação escolar padronizada, na qual aprendermos tudo com outras pessoas, em instituições formatadas e conteúdos pré-definidos. Só precisamos seguir a rotina de ir para a escola diariamente, responder a chamada, sentar, produzir textos, cálculos, fórmulas e esperar a sirene tocar para voltarmos para casa. Assim como numa indústria, onde as pessoas batem ponto, produzem e aguardam pela sirene que avisa quando do final do turno de trabalho.
Não se estuda para aprender algo novo e preenchedor. Estudamos para satisfazer o sistema, para passar no vestibular ou conseguir um emprego. Não que isso seja ruim, mas porque a essência da construção do ser e do saber acaba sendo substituída pelo modelo de vida predominante na sociedade?
Se o meu ser é construído a partir de necessidades externas e do que outros me dizem que devo aprender, passo a responsabilidade das minhas transformações internas para o que está fora de mim. Mudar, melhorar e evoluir deixa de ser responsabilidade minha e passa a ser do mundo. Se eu não tenho é porque alguém não me deu, se eu não sei é porque ninguém me ensinou, se eu não faço é porque ninguém me ajuda.
Ter liberdade de ser implica também na responsabilidade de ser.
A função das instituições de ensino, desde a escola primária até as universidades, deveria ser de estimular as pessoas, de qualquer faixa etária, mas principalmente as crianças, a serem os responsáveis pelo que querem aprender. Professores seguem sendo valiosos, mas na função de facilitadores do conhecimento, guiando os menos experientes pelas descobertas e novos aprendizados.
Quando sou responsável pelo que eu quero aprender, passo a ser responsável por quem eu sou, quem eu quero ser, pelo que quero viver, por onde quero viver e pelas transformações necessárias no mundo com o qual me relaciono. O mesmo vale para organizações, onde se espera que o líder dê orientações e direção, quando na verdade cada empregado deve assumir a liberdade e responsabilidade de ser líder de sua vida profissional.
Acabar com a corrupção, terrorismo, guerras, violência, racismo, machismo e outros problemas, só acontecerá quando nos tornarmos responsáveis por nossa evolução e passarmos a usufruir da própria liberdade de ser. Vamos assumir que isso não é problema dos outros, mas nosso, como coletivo, e passaremos a cooperar em busca de soluções.
Felizmente, o conceito do que é educação vem se transformando organicamente em muitas escolas, com a revisão do modelo de aprendizagem e inclusão de provocações como auto liderança, criatividade, mobilização e cooperação. Mas é preciso insistir. O processo de reconstrução deste modelo enfrentará resistências, pois tira a maioria de nós da agradável “zona de conforto” de ter o controle sobre o que é ensinado aos mais novos.
A atual geração de estudantes e futuros empreendedores quer buscar o aprendizado. Eles percebem o conhecimento como um desafio, e precisam buscar soluções para este desafio. Escolas e organizações precisam estar preparadas para dar liberdade total para estes seres naturalmente curiosos e inquietos, facilitando e estimulando o desenvolvimento pleno do potencial humano disponível.
A liberdade trará a responsabilidade e as soluções necessárias para as transformações individuais que o mundo precisa.
ARNO DUARTE é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.
Expedido termo de guarda
Postado no 22 de dezembro de 2015 Deixe um comentário
Um momento intenso, primeiro passo para eu ser adotado como papai por uma criança de oito anos. E como um início tão vibrante pode ser representado por uma frase tão fria?
Por Arno Duarte
Uma segunda-feira normal de dezembro, como tantas, vida que segue, trabalho, reuniões, e um telefonema: “olha teu e-mail agora, o status mudou”! Era a Taís, minha eterna namorada, sobre o processo de pedido de guarda do Cadu, um menino que apadrinhamos há um ano. Não foi de uma hora para a outra, mas é inesperado de qualquer jeito. Talvez não exista o momento perfeito para avisarem: “expedido termo de guarda”. Só é expedido! Frio assim, um suave chacoalhar na realidade.
O que eu sinto é calor humano, sensação de que o coração não cabe dentro do peito. Borboletas voam pelo estômago, um descompasso da língua embaralha as palavras, os pensamentos viajam para o passado e futuro e é inevitável o congelamento das bochechas em um sorriso que não se desfaz nem para dormir.
A partir daí a vontade de contar para todo mundo fica presa no receio de que tudo aquilo de bom que está acontecendo seja um sonho que pode ser desperto. Mas o medo evapora na alegria de ver os amigos celebrarem junto, de ouvir teus sobrinhos felizes comemorarem com gritinhos a chegada do novo primo, dos avós bestas planejando como será quando forem chamados de avós.
Emoções se misturam com a expectativa de saber quando o menino vai receber a notícia, se vai gostar, se vai chorar, se vai querer me ver com urgência ou se vai precisar de um tempo para absorver a ideia. Medos infundados, talvez cagaço em função da responsabilidade que chega, por uma vida a mais na minha vida, por um amor maior para amar sem limites.
Será que dou conta? Claro que sim, já nasci pronto para isso. A verdade é que eu sempre soube que estava pronto para ser pai de um filho de coração.
A vida vai mudar. Já mudou quando conheci o ruivinho de olhos verdes, tão especial que já é a minha cara. E a vida vai mudar ainda mais quando eu conseguir soltar todo o choro de felicidade dentro de mim, quando eu ouvir um singelo “pai” ou quando eu conseguir dizer “filho” sem me preocupar se posso ou devo me referir a ele assim.
Foi expedido o termo de amor. Aliás, acho que este deveria ser o nome do documento. Mas dane-se as formalidades, o amor está nos detalhes, nas entrelinhas, nas letras miúdas, invisíveis a olho nu. Pai é quem ama, e eu estou amando esta nova porta para a vida, uma oportunidade de ser inspirado a ser o meu melhor pelo carinha que eu deveria inspirar.
Um novo ciclo se inicia, transformações, descobertas, parceria, amizade. E nem se passaram 24 horas daquela segunda-feira tão normal de dezembro. Imagina o que mais me espera como papai adotivo tendo uma vida inteira pela frente para celebrar.
ARNO DUARTE, além de papai adotivo, é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano e mobilizador do movimento Geração Mais Amor. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.
Entrevista na Rádio Unisinos FM
Postado no 30 de novembro de 2015 Deixe um comentário
Foi ao ar hoje bem cedo, mas bem cedo mesmo, minha entrevista para a rádio Unisinos FM. No programa Conexão RH, com a Talita Raquel de Oliveira, pude falar sobre a Favoo, Guerreiros Sem Armas, e também sobre o movimento Geração Mais Amor, que atua no exercício da habilidade de amar, gerando ambientes e ações de cooperação, tendo por base o afeto entre as pessoas.
Detalhe é que em 2002 e 2003 eu atuava do outro lado do microfone, na mesma rádio, realizando as entrevistas! Desta vez foi diferente, eu fui o entrevistado e gostei bastante da experiência!
Ouve no link abaixo e deixa teu comentário depois 🙂
* Na foto: Talita Raquel de Oliveira, Cláudio Cunha Santos e Arno Duarte
Arno Duarte 














