Liderança é uma função de amor

Quando falo sobre amor e liderança, a reação das pessoas é de estranhamento. Mas basta aprofundar a conversa para perceber que todos anseiam por relações mais humanas nas organizações, com base no respeito, confiança, atenção, cooperação e empatia. E qual o melhor sentimento para representar todos esses valores?

Artigo publicado na revista About Shoes, em novembro de 2015, por Arno Duarte

O papel do líder é naturalmente delicado e complexo. O modelo hierárquico das organizações é desenhado para que grupos sigam o comando de líderes maiores, que quanto mais alto o cargo, mais soberanos se sentem.

Desde o primeiro exército, a função de liderança é sinônimo de poder, só que esse poder está ligado à proteção, sobrevivência e defesa. Proteção de cidades, sobrevivência da família e defesa de territórios. E esse poder é de medo, de fechamento. Não se conecta com expansão e crescimento mútuo, que é o desejo das pessoas. Algo está errado.

As organizações esperam que o líder seja um guia, um orientador, quem tem as respostas e dá direção. E é assim que o ego assume o poder, querendo se tornar o centro do grupo, que todos o ouçam e admirem. O líder é visto como destaque, recebe os elogios, tem o reconhecimento e atenção, seja pelo sucesso ou pelo fracasso.

É muito fácil ser a pessoa que diz como fazer, e é por isso que as instituições estão repletas destes líderes. Em sua maioria, eles são apenas técnicos com objetivo de realizar coisas do seu jeito, de conduzir trabalhos a sua imagem e semelhança, sem perceber e se utilizar do potencial criativo de suas equipes.

Fala-se muito em construir ambientes mais humanos nas organizações, mas não há como criar uma atmosfera amorosa de amizade, partilha e confiança onde um sabe menos e outro sabe mais.

A re-evolução da liderança está na simplicidade de amar.

Liderar não é ser melhor ou mais poderoso, muito pelo contrário, é aceitar o outro como ele é, respeitar e potencializar talentos e inspirar as pessoas a serem o seu melhor.

O líder em evolução começa por abandonar a ideia de liderar e, ao invés disso, usa a palavra facilitar. Ele facilita a inteligência coletiva e as relações. Ninguém é inferior a ele, todos estão no mesmo nível, simplesmente o líder tem um pouco mais de conhecimento e experiência, que deve ser colocado a serviço das pessoas que participam do grupo.

Quando o líder direciona, ele destrói a competência natural de liderança da equipe. Cada um de nós é um líder nato, com iniciativa, inspirações, coragem, força e criatividade. Se uma pessoa precisa aparecer na organização, terá que ampliar seu espaço, e desta forma, outros terão que encolher suas personalidades para se ajustar neste ambiente.

Um líder sem pretensão de ser melhor ou superior deixará claro desde o começo que apenas tem um pouco mais de experiência em algumas áreas e que as compartilhará com o grupo, estando aberto para receber as contribuições individuais de todos, a partir dos diferentes pontos de vista. A experiência da diversidade torna o grupo mais rico e engajado.

Em outras palavras, o líder apenas constrói uma atmosfera de confiança e abertura para troca, deixa o grupo sereno e se torna um guardião para que todos tenham oportunidade de se expressar, interagir e dar o seu melhor no projeto.

Claro que o líder segue com responsabilidades e problemas a resolver, mas a busca pela solução é consequência de um compartilhar de conhecimentos do grupo, e não pode ser o foco do trabalho.

Você pode optar pelo caminho mais curto ou pelo mais longo para liderar. Mas se em algum ponto dentro de você existe a esperança de que as relações de trabalho podem ser mais humanas, é seu dever ser exemplo de uma liderança mais amorosa em todas as suas relações, seja consigo, com o outro e com o mundo.


ARNO DUARTE é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.

Confira o artigo no site da About Shoes, página 58.

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