Felizes para sempre?

Marcas-de-Quem-Decide-2015-680x680Artigo publicado no caderno Marcas de Quem Decide, do Jornal do Comércio, em 30 de março de 2015

Por Arno Duarte

Normalmente, uma pessoa é contratada pelo que tem de melhor. Na entrevista, questionamos o candidato sobre suas qualidades, defeitos, projetos que fazem brilhar o olho, histórias de sucesso e fracasso. Mas quando este candidato entra na empresa, recebe uma série de formações para se tornar outra pessoa, adaptada à cultura da corporação. As empresas agem de maneira semelhante ao que as más línguas falam do casamento: você se casa para poder transformar o parceiro em uma pessoa igual a você. E aí é muito provável que isso acabe em divórcio.

Na maioria das organizações, os planos de desenvolvimento individual ou qualquer outro nome e sigla que você dê ao seu processo, são voltadas a transformar os colaboradores em outras pessoas, colocar conteúdo em suas cabeças, fazê-los passar a utilizar formas, metodologias, padrões e processos que não são deles. Perde-se com isso todas as possibilidades que as diferenças podem proporcionar.

Falar em desenvolvimento de pessoas tornou-se uma expressão tão comum, que deixamos de pensar em novas possibilidades para o conceito. Desenvolver pessoas é muito mais do que alinhar conhecimento promovendo treinamentos técnicos ou comportamentais dentro de uma organização.

Os tempos são outros. As novas gerações, cada vez mais, querem trabalhar em projetos nos quais possam utilizar suas melhores características. Não querem mais ficar anos trabalhando em uma mesma empresa. Querem explorar o que tem de melhor no momento. Isso já é um fato.

Surge espaço para ações de aprimoramento das competências individuais, inatas ou adquiridas, e que são naturalmente evidenciadas. Basta um pequeno ajuste no foco do desenvolvimento de pessoas nas organizações para melhorar a pontaria e aperfeiçoar o que cada um tem de bom. Ninguém quer ser mudado, mas todos querem evoluir no que faz seus corações vibrarem.

É a partir do respeito à individualidade que construímos um coletivo melhor. O maior valor de uma organização é o seu colaborador, e uma empresa de valor é a que melhor sabe identificar e potencializar as competências de cada empregado. E gerenciando seus talentos com maestria.

Confira o artigo no site do Jornal do Comércio.

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Meu primeiro encontro com a raiva

Artigo publicado no jornal “O Rebelde”, do Namastê, centro de meditações ativas e bioenergética, edição de março de 2015.

Lembro-me, como se fosse hoje, da primeira vez que encontrei verdadeiramente com a raiva. Você pode se perguntar: como assim primeiro encontro, se sentimos raiva o tempo todo? Deixa eu te contar então a minha história.

Por Arno Duarte

Alguns anos atrás, em um trabalho de terapia, um amigo me disse: “você é como uma caixa d’água cheia de raiva, e o que você coloca pra fora é apenas o que foge pelo ladrão”. Eu não entendi direito aquelas palavras, pois achava que eu era um cara que sentia raiva. Somente com o tempo é que fui entender melhor o que se passava comigo.

A raiva é o sentimento mais primitivo do ser humano. Sem ela, ao nascer, nem mesmo respiraríamos. A criança sabe como expressar sua raiva, e faz isso com naturalidade, mas na medida em que crescemos, vamos sendo limitados neste sentimento, e nos adequamos ao que é conveniente ao externo, para sermos aceitos principalmente por nossos pais. Podem pensar que é papo terapêutico, e tal, mas se pergunte: com qual emoção atuando em seu corpo você se sentiu mais poderoso para mudar uma situação que não estava lhe fazendo bem?

Pois, a situação que não estava me fazendo bem era a minha dureza, como se eu vivesse acuado, me protegendo de alguma coisa que poderia acontecer, de algo que poderia me ferir, e que eu nem sabia direito o que era. Essa proteção me afastava das pessoas, e evitar o contato foi a saída que eu encontrei durante a vida para não lidar com aquela raiva acumulada ao longo de tantos anos de repressão. Eu não sabia como gerenciar aquilo, e me assustava quando conectava com aquela emoção primal. O medo era de ficar descontrolado, de machucar alguém, não só fisicamente, mas até com palavras. Eu não queria sentir aquilo. Só que não sentindo raiva eu também deixava de sentir as outras emoções. Eu vivia congelado.

E foi no primeiro encontro real com a minha raiva que tive certeza de que algo havia mudado dentro de mim. E não estou falando daquele pouquinho que saía pelo ladrão. Falo de todo o volume da caixa d’água. Por alguns minutos, que pareceram horas, me permiti sentir toda a raiva possível em meu corpo, e expressá-la sem cortes, sem julgamentos, sem castração, sem controle. Foi como se eu tivesse me transformado no incrível Hulk. O cara pacato que tinha um monstro por dentro, pronto para explodir a qualquer instante. Explodi, coloquei pra fora toda a repressão que transformou minha raiva em ódio. Ao cruzar esta fronteira temida, foi como se a caixa d’água tivesse se esvaziado por completo.

Esse movimento de aceitar a raiva como algo natural abriu espaço para outros sentimentos. Hoje, consigo ver que derrubei uma muralha que cercava o meu coração. A raiva estava disfarçada de armadura, que envolvia os meus sentimentos mais tenros, mais amorosos, mais lindos. A raiva que eu sentia, mas não expressava, me prendia em amarras invisíveis, que controlavam todos os meus sentimentos. Ao mesmo tempo em que eu não expressava aquela raiva, eu também não expressava o meu amor.

Passei a gostar de mim, voltei para o meu corpo, perdi muito peso, que nada mais era do que a representação física do excesso de energia raiva represado no meu corpo.

Quando a caixa d’água de raiva ficou vazia, pude olhar para os sentimentos que me faziam falta e passei a encher o espaço com uma diversidade deles. Compaixão, tesão, alegria, tristeza, amor, e também raiva, mas desta vez, sem medo de ser abduzido por ela. A raiva passou a ser o meu combustível para mudança, uma raiva amorosa, rebelde, de querer o melhor para mim e para quem eu amo.

Ainda sinto medo de expressar minha raiva no dia a dia. Se eu disser o contrário estaria mentindo. A diferença é que hoje tenho uma consciência maior do poder desta emoção e das consequências de deixar de expressá-la. Aceitar a raiva que sinto me dá mais poder e autonomia para fazer as minhas escolhas. Está em minhas mãos agora focar este sentimento em coisas boas, para ter a força necessária para transformar o meu mundo a todo instante.

Confira a versão online do jornal “O Rebelde” em: http://issuu.com/namastepoa/docs/o_rebelde_4

Antagônicos que somos

Quanto mais buscamos concretizar o que nos faz bem, mais trabalhosa é a nossa tarefa em conseguir. É um paradoxo, mas nosso maior temor é justamente conquistar o que desejamos. Não é lógico, eu sei. A explicação para isso está no medo que temos de ser feliz.

Por Arno Duarte

Você foi ao nutricionista, se deu conta que está acima do peso, precisa moderar a alimentação e praticar exercícios. Tem consciência de que isso é importante para a sua saúde e bem estar. Faz a matrícula na academia e, quanto vai começar os treinos, aceita o convite para um happy hour. Toma todas, degusta uns petiscos e volta pra casa arrependido de ter adiado o início das aulas.

Essa história pode variar de personagem, ou mesmo de tema, mas é conhecida por muita gente. Talvez não seja a academia, talvez seja a busca por um novo emprego, talvez seja começar a escrever um livro, talvez seja ligar para aquela pessoa que você está a fim. Escolha o que você quiser imaginar que poderia (ou pode) te realizar. Exemplos não vão faltar.

Registramos na memória todos os acontecimentos de nossa vida. Coisas que vivemos na mais tenra infância, sentimentos, lembranças profundas, tudo é acessado a todo instante em nosso inconsciente, mesmo quando não percebemos.

O ser humano tem uma capacidade imensa de registrar sentimentos negativos. Temos extrema habilidade em proteger a nós mesmos do que não nos faz bem. É o tal instinto de autopreservação, muito útil, convenhamos, quando estamos em situações de risco. Só que este instinto também nos preserva de experimentar novamente qualquer coisa que nos remeta à possibilidade de sentirmos dor, tristeza, frustração ou medo, e com certeza, todos nós já passamos por eles em algum momento da vida.

Na vida adulta, pequenos estímulos trazem à lembrança emoções antigas, remotas, que são revividas como se fossem atuais. A pessoa observa o presente através dos olhos do passado, se utilizando de sentimentos, filtros e crenças, vividos em outra época, para a tomada de decisões de ter ou não uma atitude e mudar uma situação.

Quando visualizamos o que realmente queremos, parece que algo nos trava, inventamos desculpas, não enxergamos o óbvio, procrastinamos ações e temos atitudes que nos levam justamente ao oposto do que desejamos. É o inconsciente trabalhando.

Os motivos são os mais variados, desde medo de não ser capaz, de errar, de se arrepender, de dar certo, vergonha por ser o melhor em algo, frustração por não conseguir, tristeza por vencer os outros, medo de se entregar de coração e se machucar, e assim por diante.

Para a sua mente, a realidade é reviver aquele sentimento que não foi bom no passado, não existe outra possibilidade. E, no seu modo de ver, sua reação também é a única possível: não caminhar em direção ao que te realizaria, evitando assim a possibilidade de sentimentos de dor e perda.

E todos estes fantasmas se manifestam justamente no que você mais deseja, pois este é o ponto realmente relevante para você. Os medos não vão surgir em coisas comuns, pois se estas derem certo ou errado, tanto faz. Não estão conectadas com suas mais importantes vontades.

Tomar consciência dos estímulos e emoções que nos motivam ou paralisam é o primeiro passo para mover energia para a realização do que queremos. Reconhecer que fomos frágeis, que já sofremos no passado, e que esta dor permanece em nós, vai possibilitar perceber a realidade atual de forma diferente, mais madura, permitindo viver como adulto protagonista de escolhas e atitudes nesta época, construtor de um futuro que avança corajosamente, mesmo com medo.

Ser feliz está na moda

Artigo publicado na Revista About Shoes, edição de janeiro de 2015

Nunca antes na história deste País as pessoas se preocuparam tanto com a busca pela felicidade. Se no passado o dinheiro era a base do sucesso, hoje as necessidades são outras. Refletir sobre o quão feliz podemos ser agora é prioridade para escolhas de vida e carreira. E esta moda veio pra ficar.

Por Arno Duarte

A revolução pela felicidade é um fenômeno que vem despertando silenciosamente na consciência coletiva. Não existiu nenhum marco zero, ninguém precisou queimar roupas, nem caras pintadas foram às ruas. Em algum momento simplesmente passamos a questionar se a engrenagem “trabalho para gerar dinheiro para gerar consumo” era o único roteiro possível para a vida.

Pensar sobre a importância que damos ao dinheiro versus o custo em longo prazo na nossa qualidade de vida só foi possível graças aos esforços dos nossos pais e avós. Sim, foram eles que proporcionaram a estabilidade econômica e sustento das nossas necessidades básicas, o que nos permitiu ver a vida por outra lente. Diferente da época deles, a relação com o dinheiro hoje em dia é outra. Ainda precisamos garantir o leite das crianças, claro, mas estocar reservas financeiras e aproveitar a vida só depois da aposentadoria deixou de ser sinônimo de realização. Queremos estar felizes durante todo o filme, e não ter apenas um final feliz.

A sociedade atual não está mais em busca de reconhecimento financeiro. As pessoas são mais autoconfiantes e buscam uma satisfação quase que espiritual pelo que vivenciam, pessoal e profissionalmente.

Mas claro que felicidade tem um sentido para cada pessoa, portanto, esteja consciente e faça reflexões diárias sobre como está a sua felicidade nas pequenas atitudes da vida. Coloque a cabeça no travesseiro antes de dormir e pense sobre o seu dia, visualize as coisas que você fez e não gostou, ou os momentos em que se sentiu bem. Quando não percebemos como estamos nos sentindo, seguimos levando a vida como se tudo estivesse bom, e deixamos de agir em direção a algo que nos satisfaça.

Se você perceber que não está feliz em algum aspecto da sua vida, se pergunte: porque permaneço assim? Deixe de se conformar com a situação, seja ela qual for. Nenhuma escolha é eterna, por mais certa ou errada que tenha sido no passado. O presente é agora, e o futuro você constrói como quiser. Se algo não vai bem, está em suas mãos transformar o que quer viver em felicidade. A partir desta identificação, avalie um contexto mais amplo de vida, de necessidades, vontades, desejos, e então, trace um plano estratégico pessoal com objetivo de se sentir feliz por inteiro.

O caminho da felicidade está em manter o equilíbrio entre todos os aspectos da vida, sem nunca se esquecer de consultar quem você está sendo durante esta travessia. Mantenha em vista os seus propósitos e tenha consciência sobre as verdadeiras razões por que você faz todas as coisas que faz todos os dias. Escolha viver o tipo de vida que você quer viver.

Ser feliz é um estilo de vida que desafia o convencional. Se os seus passos estiverem sincronizados com o que te fez bem, a alegria em seu rosto e sua atitude vão projetar você para as realizações que merece.

Quando se está neste estado de espírito, você não só vive uma grande vida, mas também multiplica esta nova referência de sucesso para quem está a sua volta. E que coisa boa se este comportamento permanecer na moda por muitas e muitas estações.


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Em busca do equilíbrio

Reportagem publicada na Revista Expansão RS, edição de dezembro de 2014

Em tempos em que as pessoas andam cada vez mais à procura de satisfação, encontrar um trabalho que contribua para a felicidade é sinônimo de realização pessoal

Por Juliana Berwig

“Escolha um ofício que você ame e não terá de trabalhar um único dia de sua vida.” O famoso ditado, proferido pelo pensador Confúcio muito antes da implantação dos departamentos de recursos humanos nas empresas, parece que nunca fez tanto sentido. Com rotinas cada vez mais exaustivas, a pressão constante por resultados e um clima de competição permanente no ar, muitos profissionais andam com pouco tempo para lembrar os motivos aos quais os levaram a seguir a carreira que optaram. Mais do que isso: sentem-se insatisfeitos e reclamam de aspectos como falta de reconhecimento no ambiente corporativo ou baixa remuneração para o cargo que ocupam. Apesar de todos os percalços, especialistas mostram que é possível encontrar a felicidade no trabalho e ainda ser mais confiante em relação à própria existência após o expediente.

Visão dos analistas

De acordo com um estudo realizado pela Gallup – uma das maiores empresas de pesquisa de opinião do mundo –, a maioria das pessoas está insatisfeita com seu emprego. O relatório apontado pela empresa mostrou que 72% das pessoas não encontram prazer na atividade que exercem ou têm problemas relacionados ao ambiente de trabalho. Mais do que isso: 18% estão ‘ativamente desengajadas’ e demonstram até mesmo interesse em prejudicar a própria empresa em que atuam.

Na visão dos analistas do estudo, uma em cada cinco pessoas está desmotivada, aspecto que não está relacionado aos baixos salários, mas à falta de vocação para a atividade desenvolvida. O índice de pessoas engajadas – ou seja, que realmente estão entusiasmadas com seu trabalho – varia ao ano dentro de uma taxa de 28% a 30%, ainda de acordo com a pesquisa, que ouviu pessoas de diversas partes de planeta.

Plano estratégico

Em meio às tantas perspectivas negativas, uma dúvida paira na cabeça de quem ainda teme as noites de domingo e seu anúncio de que a segunda-feira está chegando: é possível ser feliz no trabalho? Para Arno Duarte, consultor da Favoo Desenvolvimento Humano, o assunto tem um caráter muito pessoal e deve ser encarado a partir de uma análise profunda de desejos e motivações.

“Nenhuma escolha é eterna, por mais certa ou errada que tenha sido no passado. O presente é hoje e o futuro somos nós que construímos. Se algo não vai bem, está em nossas mãos transformar o que queremos viver em felicidade”, destaca o consultor. “A partir desta identificação, é preciso avaliar um contexto mais amplo de necessidades e vontades, e, então, traçar um plano estratégico pessoal com o objetivo de se sentir feliz por inteiro”, acrescenta. Ele chama a atenção para o fato de que muitas pessoas insistem em acreditar que é possível separar vida pessoal e profissional.

Poder das escolhas

Em recente palestra no Congresso Estadual sobre Saúde e Trabalho, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH/RS), o especialista em gestão de pessoas Nelson Bittencourt também realçou o fato de que muitas pessoas ainda não pararam para reavaliar suas escolhas profissionais e se acomodam em carreiras pouco satisfatórias. “A felicidade não está em lugar algum a não ser no seu cérebro, aliás, é ele quem promove a produtividade. As pessoas que não sabem por que trabalham não são felizes, caminham em direção ao nada, pois quando não se sabe para onde se quer ir, qualquer lugar vai servir”, revela.

O consultor ainda afirma que provocar a mudança é um processo doloroso e necessário, assim como saber diferenciar trabalho e emprego. “Enquanto um é fonte de vida, o outro é fonte de renda. O ideal é que os dois processos estejam unidos”, enfatiza. Para ele, é preciso menos drama e mais comédia para enfrentar o problema da falta de satisfação com a vida profissional. “Chega de ‘mimimi’, vamos adotar o ‘hahaha’. Se o trabalho não está trazendo felicidade, procure encontrar um caminho diferente”, aconselha.

Para deixar o marasmo de lado – e saber equilibrar trabalho e emprego em uma mesma realidade – o especialista aconselha que as pessoas se empenhem em descobrir um novo ponto de partida. Desta forma, segundo o consultor de recursos humanos, o indivíduo deve perceber que as metas desejadas estão mais perto do que se imagina e que podem ser facilmente alcançadas a partir de alguns pequenos ajustes na rotina. “A frase – querer não é poder – está equivocada. Se eu apenas quiser algo, jamais chegarei perto do meu desejo”, ressalta.

Papel das empresas

Em um mundo cada vez mais dinâmico e conectado, até mesmo as relações entre empresas e empregadores andam passando por mudanças que não podem ser ignoradas. Se no passado, manter-se no trabalho a todo o custo – mesmo alheio à própria infelicidade – era a regra, nos dias de hoje o jogo mudou e os colaboradores querem se sentir parte de algo maior. “As gerações atuais não estão mais em busca de reconhecimento financeiro e tampouco de elogios.

Os profissionais do futuro e do presente são autoconfiantes e estão atrás de uma satisfação quase que espiritual pelo trabalho que realizam. A economia é estável e há alta oferta de serviço para quem tem vontade e quer empreender”, comenta Duarte. Com o dinheiro deixando de ser o objetivo principal, o ambiente de trabalho tem um peso redobrado, assim como a escolha certa de qual caminho seguir na carreira.

Apesar da insatisfação com o trabalho partir de questões pessoais, muitas companhias estão se empenhando em trazer mais motivação para a vida dos funcionários. Cada vez mais na pauta dos empregadores, ações como horários flexíveis, aperfeiçoamento pessoal e até mesmo benefícios como massagens e descansos atrai quem busca um trabalho em sintonia com uma vida mais saudável. “Ninguém mais quer ser parte de uma boiada, pois somos seres únicos e queremos ser tratados como tal. Além da questão da conexão entre propósito empresarial e individual, acredito que as empresas, na figura de seus líderes, precisam atuar mais no compreender as necessidades específicas de cada pessoa”, enfatiza Duarte. Aos colaboradores, cabe o compromisso de dar o melhor de si e o mais importante: estar em sintonia consigo e com o resto da equipe.

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Por Arno Duarte, consultor da Favoo Desenvolvimento Humano:

  1. Faça reflexões diárias sobre como está a sua felicidade nas pequenas atitudes da vida – É importante praticar exercícios simples, como colocar a cabeça no travesseiro antes de dormir e pensar sobre o seu dia, perceber coisas que você fez e não gostou, ou com o que se sentiu bem, fará você ter novas atitudes no dia seguinte, no outro e no outro. Quando não percebemos como estamos nos sentindo, seguimos levando a vida como se tudo estivesse bem, e deixamos de agir em direção a algo que nos satisfaça.
  2. Busque formas de entender melhor a si, sua origem, como lidar com as emoções, o que lhe motiva e faz o seu coração vibrar – Ações como terapia, análise, coaching ou outros processos de autoconhecimento podem ajudar a ter um propósito mais claro de vida.
  3. Conte o seu plano para outras pessoas – No momento em que compartilhamos nosso planejamento e propósito, novas ideias e alternativas surgem para nos ajudar a atingir os objetivos.
  4. Tenha um plano de vida e carreira, com metas, objetivos e ações bem definidas, alinhado ao seu propósito – Se você não tem um caminho definido, você vai acabar tomando um caminho qualquer. Nem sempre este será o que o levará até a sua felicidade. Portanto, assuma as rédeas e direcione a sua energia para a rota adequada ao que o faz sentir-se bem.
  5. Seja o ator principal do roteiro da sua vida – Considere que qualquer coisa é possível de ser realizada, e que a condição para isso está em suas mãos. Deixe de se colocar em posição de vítima, atribuindo aos outros os seus insucessos, e assuma a responsabilidade por suas decisões, sejam elas certas ou erradas. O nível da sua felicidade será diretamente proporcional ao nível de protagonismo que você assume em sua vida.

Faça download do PDF da reportagem clicando na imagem abaixo:
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A felicidade é o caminho

A matéria especial “Felicidade é o caminho”, publicada na Revista Conexão InBetta, edição 2 de dezembro de 2014, teve um box com uma entrevista comigo. A revista é voltada ao público interno da empresa, e conta também com depoimentos dos colaboradores sobre o que os faz felizes no ambiente de trabalho e vida pessoal. Parabéns aos líderes do Grupo InBetta por estimular esta reflexão em nível corporativo. Ser feliz não é uma realidade distante, pelo contrário, é um sentimento para ser desfrutado sempre que possível.

Confira abaixo o trecho da reportagem:

Um movimento constante

A tão desejada felicidade não precisa ser um sonho distante. O consultor em desenvolvimento humano da Favoo, Arno Duarte, afirma que é possível e necessário construí-la a cada dia. “Tem de ser um movimento constante. Se você está em um momento feliz, ótimo. Se não, está na sua mão fazer diferente. É preciso ser o protagonista da sua história”, ensina. 

Para isso, Arno defende que há três pilares que sustentam esse plano de felicidade, tanto pessoal quanto profissional, e permitem trilhar um caminho com muito mais sorrisos:

Estratégia: você precisa saber aonde quer chegar. Quando não se tem um objetivo, qualquer problema gera frustração. É preciso ter uma ideia do que o faz feliz e se dedicar a alcançá-la.

Autoconhecimento: observe-se no dia a dia. Antes de dormir, reserve cinco minutos para se perguntar: “com o que eu fiz hoje, estou seguindo no caminho certo? Eu me senti bem? Essas ações me aproximam do meu objetivo?”. O importante é ter consciência do que está fazendo e, se não se sentir bem, mudar atitudes no outro dia.

Colaboração: ninguém faz nada sozinho. Procure entender quem, do seu círculo de amizades, pode ajudá-lo na sua busca pelos objetivos. Conversar com as pessoas torna as vivências mais reais, a troca é muito rica. A convivência nos ajuda a evoluir.

BoxEntrevista

Qual o sentido da sua vida?

Você já deve ter se perguntado em vários momentos. Eu me pergunto sobre isso constantemente. Não é uma pergunta fácil de responder. Para que viemos a este mundo?

Por Arno Duarte

Talvez para ganhar dinheiro e ter uma família. Ok, mas apenas isso não me completa, ainda tenho dúvidas. É pra isso mesmo que eu estou aqui? Porque eu acordo todos os dias de manhã? Qual a minha função neste mundo?

Pode parecer “viajandão” demais, eu achava viajandão demais, até por este motivo eu nem pensava sobre isso. Achava que eu estava me questionando à toa, reclamando de barriga cheia. Até que percebi que não era um pensamento tão à toa. Comecei a conversar com pessoas a respeito, e vi que outros também tinham as mesmas dúvidas, faziam as mesmas perguntas! Eu não era o único!

Importante começar falando que o que importa aqui é o sentido da SUA vida. Pode ser diferente para cada um de nós! Somos moldados pelo sistema educacional e desde que entramos na escola já sabemos o roteiro da vida. Estamos marcados para estudar na pré-escola, no ensino básico, ensino médio, tirar carteira de motorista, estudar pro vestibular, fazer vestibular, entrar na faculdade, fazer estágio, se formar, encontrar um emprego, alguns buscam programas de trainee, fazer MBA, pós, mestrado, se casar, comprar carro, comprar casa, viajar pra Europa, ter filhos, formar os filhos, e repetir o ciclo.

Somos fabricados desde a escola até as linhas de produção das empresas para fazer o mesmo que os nossos pais, nossos avós e assim em diante.

Quando estamos nesta máquina, nesta engrenagem é muito difícil de parar… RESPIRAR… e se questionar sobre o que estamos fazendo aqui. E é difícil se questionar porque quando a gente se questiona, a resposta pode doer. Podemos nos dar conta que já vivemos 30 ou 40 anos sem um sentido, sem algo maior que nos motive a estar neste mundo.

Calvin na escola_ o sentido da vida
Tá, eu estou fazendo um monte de perguntas e você deve estar querendo saber, qual o sentido da minha vida? Eu explico…

Quando parei pra refletir sobre isso lembrei inevitavelmente de quando eu era criança e queria ser jogador de futebol, mais precisamente goleiro, ou cantor de rock. Eu era fã do Taffarel e de alguns cantores. As minhas experiências de vida até aquele momento associavam as brincadeiras de criança com profissões quando eu fosse adulto. Quer coisa melhor para um menino do que jogar bola com os amigos? Eu também gostava muito de música, de ouvir música, ficava viajando nas letras, cantando no chuveiro. Era tão gostoso. A vida da criança é de festa, brincadeira, leveza e liberdade! A associação imediata que eu fazia era de querer tornar aquilo a minha profissão no futuro! Aquilo preenchia o meu ser. Eu queria ser um profissional daquelas brincadeiras!

Mas ao longo da minha vida fui somando outras experiências, tendo outras inspirações, outros ídolos, mais referências… Só que como falamos no início, fomos moldados para ser outra coisa. Nosso desejo de “ser” vai se apagando ao longo da vida. Aquela chama de ser da nossa essência diminui, mas nunca desaparece.

Aprendemos métodos ao longo da vida que nos levam ao TER e esquecemos do SER. A soma das nossas experiências agrega ao nosso SER, mas as ações e direcionamentos que damos a nossa vida nos leva na maioria das vezes ao TER.

Eu quero ter um cargo de gerente, quero ter uma equipe com muitos funcionários, quero ter um carro do ano, quero ter uma casa na praia, quero ter uma cobertura no bairro mais caro, quero ter muitos amigos no Facebook. Mas eu não quero ser o melhor amigo, não me importa a qualidade, e sim o número. Eu não quero ser um excelente gestor, eu quero ter um cargo de gestão a qualquer custo. Minha vida depende disso.

Volto para o meu caso. A soma das experiências ao longo da minha vida sempre me levou ao TER: ter uma casa, um carro, um emprego, a vida perfeita. Ter um MBA, graduação, ter as melhores notas. Só que chegou o momento em que me perguntei qual era o sentido da minha vida?

Foi quando eu virei a chave para olhar para o SER, quem eu sou, e quem eu quero SER. Eu quero ser este cara, quero ser alguém que desenvolve pessoas, que ajuda a construir um mundo melhor, eu quero ser protagonista de mudanças importantes, eu quero ser um bom pai, eu quero ser um amigo fiel e real, um namorado/marido presente, quero ser um líder inspirador, eu quero ser um homem de valores claros.

E não é ruim ter um objetivo de TER. Todos temos desejos de TER coisas, é óbvio, isso é bom também. Mas é importante entender que antes de você TER, você precisa SER. Voltando a minha experiência, eu passei a olhar a vida por esta perspectiva e para isso eu tive que me desenvolver.

Precisei reaprender a SER e a energia que me moveu para isso tudo foi o autoconhecimento. Por meio de processos de coaching, terapia, trabalhos em grupo, foi possível me conhecer, entender o que me motiva, o que me bloqueia, o que não me permite ser quem eu gostaria de ser. Somente a partir deste movimento de me descobrir, eu pude tomar as decisões mais voltadas ao meu coração.

Mafalda

Deixamos de olhar pro nosso ser e de acreditar no nosso coração à medida que somos criados para não confiar nos nossos instintos. Sofremos na infância com a troca do sentido das emoções. Dor, raiva, tristeza, alegria, etc, são reprimidas por nossos pais para que nos adaptemos melhor ao que a sociedade espera. Ao final, os reais significados das emoções se tornam confusos.

Com o amor é a mesma coisa. O menino abraça o amiguinho e dizem que é afeminado. A menina brinca com o menino, e dizem que deve brincar só com menina. Isso distancia as pessoas. O menino quer ser cantor e dizem que é coisa de drogado. Pintar não vai te dar dinheiro. Tudo isso são coisas que ouvimos e essa criação nos afasta do que faz o nosso coração vibrar.

Em nos afastando do que faz nosso coração vibrar, nos afastamos da nossa essência, da nossa FELICIDADE. O sentido da vida é a gente amar o que a gente faz. A gente estar conectado com nosso propósito, com nossa essência. A gente amar o que a gente quer ser. A gente confiar em nós mesmos, nos nossos sentimentos.

FAVOO É AMAR – COACHING É UMA FUNÇÃO DE AMOR

A Favoo é o que faz o nosso coração vibrar. Somos a construção de um caminho em direção ao que nos completa, ao que nos faz sermos melhores. E o sentido da nossa vida é compartilhar este sentimento e ajudar você a se conectar novamente com o seu coração.

Amar é uma entrega, é uma doação. Acreditar de olhos fechados, dar um salto sem rede de proteção. Amar é se entregar total para algo, ou para alguém ou para alguma causa, ou para nós mesmos, se entregar para nossos instintos.

Nós, da Favoo Desenvolvimento Humano, queremos oferecer a você um espaço, uma forma, um carinho, uma conexão. Queremos proporcionar estímulos para que você possa novamente se conectar com a sua essência e que consiga construir um caminho durante este processo para chegar ao seu resultado, no sentimento de amor, de paz de felicidade com suas escolhas, de plenitude e realização consigo mesmo.

http://www.favoo.com.br

Mais amor, nas organizações, por favor

Artigo publicado na Revista About Shoes, edição de julho de 2014

About | business+love

Com amor é mais gostoso, mesmo assim as relações humanas no trabalho estão cada vez mais frias e robotizadas. Existe um preconceito de que sentimentos não combinam com resultados, mas responda você: em que momentos da sua vida você se sentiu mais produtivo e esbanjando energia?

Por Arno Duarte

Vivemos num mundo em que a competição é o motor que faz a roda da economia girar. Desde pequenos aprendemos a ser competitivos, a ser o melhor, a superar os colegas, vencer, vencer, vencer. A competição gera disputas e, na maioria das vezes, sobrepõe iniciativas de colaboração e de generosidade entre pessoas, instituições, organizações, etc. Não raro, empresas são vistas pelos funcionários como duras e “sem alma”. Aos poucos, durante nossa vida profissional, esquecemos quem realmente somos, e nos adaptamos a esse espaço frio do mercado de trabalho.

A base da humanidade é generosa. Somos todos equipados com o mais nobre dos sentimentos, o amor, calor humano que falta nas empresas, esquecido e soterrado pela “profissionalidade” das relações. As pessoas estão ficando doentes, são enxaquecas, dores no corpo, câncer, obesidade, AVCs, depressão, ulcera, gastrite, infarto, tudo reflexo de um ritmo de trabalho que nossos corpos não estão preparados para suportar. Máquinas suportariam tamanha pressão. O mercado quer transformar pessoas em máquinas, pois máquinas não sentem.

Ninguém se preocupa com as máquinas. Se uma máquina quebra basta trocar uma peça ou comprar outro equipamento que a roda volta a girar. Máquinas não precisam ser respeitadas para fazerem o seu trabalho bem feito.

Já os seres humanos precisam de relações saudáveis no trabalho para produzir com resultado. Como podemos desenvolver grandes empresas sem relações de qualidade entre as pessoas que desenvolvem os projetos? A pressão por resultados não é mais 12/8. As empresas estão hipertensas, e tal como em pessoas, a hipertensão é uma doença silenciosa e mortal.

Quando pequenos temos uma confiança infinita nos amigos, nos irmãos, nos pais, mesmo em desconhecidos. Crianças são generosas porque confiam! Aos poucos vamos recebendo informações de que temos que ter cuidado com estranhos, seus amiguinhos roubam teu lanche, aquele segredo que você contou a alguém foi revelado. São tantas decepções que aos poucos perdemos esta confiança, que antes era natural, e passamos a avaliar tudo e todos, julgar sem conhecer, suspeitar para garantir. Duramente aprendemos que ser bom é ser bobo, que o mundo é dos espertos e a lei do mais forte prevalece. Um grande jogo que fica potencializado no ambiente de trabalho, lugar do ganha-pão que garante nossa sobrevivência nesta economia baseada no dinheiro.

Mas não somos mais crianças. Como adultos podemos voltar a confiar, exercitar a generosidade nas relações humanas e nos defender caso alguém ultrapasse os nossos limites. Precisamos de um esforço especial para educar as pessoas para sentimentos bons e atitudes positivas frente ao próximo. Devemos estimular nosso potencial generoso e colocar esse sentimento em todas as nossas atividades e relações, sejam elas pessoais ou profissionais.

Você pode pensar que sua atitude individual é pouco em um mundo com sete bilhões de pessoas, mas não é. A humanidade é uma rede. Passe a ter atitudes individualmente e você vai sentir a diferença no seu dia. Quem estiver ao seu redor vai ser estimulado, será contagiado por suas ações, e quando você menos esperar, todos a sua volta estarão comentando sobre como algo mudou na dinâmica das relações deste grupo.

Precisamos passar a educar desde o jardim da infância sobre a importância do amor e da generosidade nas relações. Você não é obrigado a ser sempre generoso, mas precisa entender o valor que esta ação tem sobre as relações e o quanto ser generoso ou não afetará a felicidade do mundo ao seu redor. Um ambiente de generosidade gera confiança mútua e produz menos ansiedade, tensão e estresse. Você gasta menos energia tendo que se preocupar com desconfianças, e sua saúde mental e corporal agradecem.

Os mais céticos vão dizer que generosidade e amor não combinam com as empresas e relações comerciais. Ouvi o discurso do Dalai Lama, feito no Vale do Silício nos EUA, em fevereiro deste ano, em que ele fez um raciocínio muito simples. O ser humano precisa de conforto espiritual e material. A generosidade trás o conforto espiritual e a economia continua sendo necessária, pois gera o conforto material. O conforto espiritual não é concorrente do conforto material. A economia não deixará de existir só porque as pessoas estarão mais satisfeitas espiritualmente, pois ainda precisarão comprar bens para o seu conforto físico. Segundo “Sua Santidade”, também só falar em conforto espiritual não é real, portanto espiritual e material precisam andar juntos para o bem de todos.

Se você se relaciona com pessoas, é sua obrigação ser mais generoso antes de sair por aí postando “mais amor por favor” nas redes sociais. Vamos fazer as palavras bonitas saírem da latinha de refrigerante e se transformarem em ações concretas. Passamos mais de 10 horas do nosso dia nos relacionando com colegas de trabalho. Quem sabe não é por aí que mudaremos o mundo? Vamos buscar uma atitude de preocupação com os outros seres humanos. Quanto mais você dá amor, mais você recebe amor. Quer melhor retorno sobre investimento a curto prazo do que este?

Maratona de Autoconhecimento para os Jovens do Projeto Pescar

Os Jovens da Unidade Projeto Pescar AGCO, em Canoas (RS), participaram de um workshop de autoconhecimento ministrado pelos Voluntários Arno Duarte e Lucelaine Schein. A proposta diferenciada, explica Duarte, tinha por objetivo trabalhar questões como gerenciamento das emoções, reflexão sobre propósitos, feedback e relacionamento interpessoal: “Também foram trabalhadas dinâmicas específicas, como o uso de meditações ativas e passivas com os Jovens, de modo a potencializar o resultado do encontro”.

Depoimentos de alguns Jovens:

“Tudo que vivi neste final de semana me fez perceber o quão fortes somos e o quanto é importante ter alguém em quem a gente possa confiar. Só tenho à agradecer por essa oportunidade!” – Vanessa Gonçalves

“Descobrimos que não somos apenas uma turma, somos uma família que ao longo dos dias vai se formando. Tenho só a agradecer por terem essa confiança e acreditarem em nós. Obrigado de coração pela oportunidade” – Bruna Goulart

“Gratidão, respeito, confiança são algumas palavras que pude sentir nesse fim de semana tão intenso. Só agradecimento é pouco para tanto feito por nós. MUITO, mas MUITO MESMO OBRIGADO” – Jean Luis

Artigo publicado no site da Fundação Projeto Pescar, em 30 de maio de 2014
http://site.projetopescar.org.br/?p=11951

Chega de mimimi. Seja o protagonista da sua criatividade.

Artigo publicado na Revista About Shoes, edição de setembro de 2013. 

About | creativity

Uma epidemia de insatisfeitos se forma nas linhas de produção da vida moderna. O fenômeno não é novo, mas parece que somente agora os profissionais começam a se questionar sobre o que os motiva para o trabalho, e a resposta pode estar mais perto do que imaginam.

Por Arno Duarte

Como profissional de recursos humanos e coach, as pessoas geralmente me procuram reclamando da falta de tesão por suas profissões, da vontade de fazer coisas novas, de encontrar satisfação no trabalho. Muitas delas apontam as empresas como maiores culpadas pela falta de motivação. Tudo seria melhor se a empresa fizesse isto ou aquilo. Colocam a responsabilidade da motivação para fora de si.

Particularmente, acredito que a criatividade pode ser um combustível poderoso para uma vida profissional satisfatória. Sem criatividade, o trabalho, no qual passamos um terço do nosso dia, vira tarefa, fica chato, pesado. Deixa a sensação de faltar algo. Até mesmo os relacionamentos amorosos viram rotina quando deixam de ter aquela “criatividade” do início do namoro, porque com o trabalho seria diferente? Sem criatividade a vida é morna.

Mas não se culpe se você também está passando por este período “mimimi”. Talvez tenha chegado o momento de mudar o seu posicionamento e se perguntar: como exploro meu lado criativo no trabalho?

Um mês atrás palestrei para um grupo de jovens entre 17 e 19 anos e, já pensando na preparação deste artigo, perguntei a eles sobre satisfação em estudar e sobre as possibilidades de exercitar a criatividade na escola. Resposta geral: nenhuma satisfação e pouca criatividade. Minha curiosidade surgiu ao assistir a palestra do (Sir) Ken Robinson, no TED.com, sobre como as escolas matam a criatividade. Eu quis tirar a prova real, talvez por ter esperança de que o caso só ocorresse na Inglaterra, mas meu teste comprovou a tese do “Sir”. O fenômeno é global e vai desde o Reino Unido até Santa Rosa, no RS.

Se trouxermos a discussão para o mundo dos adultos, podemos perceber que também as empresas fazem parte deste sistema que pouco valoriza os processos criativos. É lógico, já que as empresas se utilizam da mão-de-obra preparada pelas escolas, de profissionais com o modelo mental que não prioriza a criatividade. Fomos criados em uma linha de produção para atendermos a uma linha de produção. Certamente você já assistiu The Wall e Tempos Modernos.  Isto transforma o trabalho em tarefa, chato, pesado.

Entramos num circulo vicioso da não criatividade, onde todos se acomodam e adormecem nos lençóis da mediocridade. O pior é que nem percebemos. Quando crescemos, nos tornamos adultos com medo de errar e conduzimos as empresas assim, criticando os erros e não permitindo a inovação.

E o que a criatividade tem a ver com motivação no trabalho, você deve estar se perguntando. A criação vem da experiência, das trocas, de vivências. Quando nossos sentidos estão aguçados e nosso coração e mente andam em sintonia, a sensação de criar algo é quase a mesma de quando estamos apaixonados. Sem criatividade somos robôs tarefeiros respondendo a comandos externos. Como seria se voltássemos a nos sentir crianças livres nestes momentos, sem medo de julgamentos ou críticas com nossas criações?

O convite que faço é para que você busque formas de assumir o protagonismo da sua vida e reflita sobre as oportunidades que surgem quando você se posiciona como um agente de criatividade no seu trabalho. Em tempos de protestos por tudo e qualquer coisa, proteste por um movimento interno que estimule a criatividade. Rebele-se contra o sistema e acabe com o mimimi. A mudança começa por você.

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