Amei demais
Postado no 6 de agosto de 2015 Deixe um comentário
Amei demais. Depois de 32 dias em Santos, vivendo e criando com pessoas especiais na formação Guerreiros Sem Armas e na comunidade do Morro do José Menino, me apaixonei profundamente por elas. E então chegou o momento da despedida. A vontade é de manter toda essa gente por perto. Guardar esse sentimento pra sempre, trancar o coração num cofre e jogar a chave fora para que as sensações fiquem comigo, para que eu possa acessá-las sempre que eu quiser. Não quero ficar longe dessa gente inspiradora, louca, mágica, eletrizante, espetacular!
Mas o amor se revela tão grande e especial, que me dou conta de que tudo o que deveríamos viver foi vivido, experimentado. E amar é isso, permitir-se sentir, entregar-se, e quando tudo estiver maravilhoso, permanecer amando tanto, mas tanto e tão profundamente, que se queira ver as pessoas amadas livres para voarem mais alto para amarem ainda mais pessoas, mais projetos, mais amigos. Prender essa experiência linda só pra nós, em nossa bolha do melhor mundo possível seria egoísmo, seria privar outros melhores mundos possíveis da energia desses corações transformadores que transbordam olhares apreciativos, afeto, cuidado, sonhos, milagres, celebrações e re-evoluções.
Amo a melhor versão de mim mesmo que re-conheci. Amo a melhor versão de meus novos amigos. Amo todas as possibilidades que se abrem a partir de nossos corações abertos, agora conectados e polinizando o mundo com o néctar mais precioso de nossas essências.
Guerreiros Sem Armas e Meninada, nos encontramos em nossos mais novos belos sonhos!
Quem é rico e quem é pobre?
Postado no 13 de julho de 2015 Deixe um comentário
Durante a formação Guerreiros Sem Armas, na comunidade do Morro do José Menino em Santos, decidi compartilhar algumas das vivência nas redes sociais. Logo no rascunho do primeiro post, de imediato, escrevi “uma comunidade carente em Santos” na primeira frase do texto. Aí me dei conta: carente de que?
O que nas carências desta comunidade faz dela tão especial que precisa ser definida com uma marca? Porque eu nunca chamei o prédio de apartamentos aonde eu vivo de carente? Ou mesmo a região aonde eu cresci? Será que a região dos Jardins em São Paulo, ou do Leblon no Rio, não são carentes de algo também?
Já na primeira experiência prática na formação, ao ter um olhar apreciativo sobre a comunidade que visitei, vi que a pobreza está na forma como rotulamos as pessoas e as coisas. Ser pobre, ou carente, como o mundo chama as pessoas que vivem nas periferias de grandes centros, nada mais é do que diminuir os outros diante de nós mesmos.
Pobres somos todos nós, quando subjugamos e eliminamos toda a beleza e possibilidades de algo, sem nem mesmo ter dado a chance desse potencial se revelar.
Ricas são as experiências que as pessoas vivenciam, na exuberância da natureza presente ao seu redor, nas suas crianças livres jogando bola no meio da rua ou descendo a ladeira de bicicleta, em seus abraços calorosos e cheios de sentimento.
Ricos ou pobres são os momentos, as circunstâncias promovidas por nossos comportamentos e ações, independentemente de onde vivemos.
E eu te pergunto: você está pobre ou rico neste momento?
Quanto é eu + vocês?
Postado no 2 de junho de 2015 Deixe um comentário
Artigo publicado na revista About Shoes, em julho de 2015
Na busca incessante por resultado e sucesso, pensamos mais na competição do que na colaboração. Somos competitivos desde o ambiente familiar, passando pela formação escolar até as relações de trabalho. Lutamos uma guerra sozinhos e esquecemos que antes de tudo somos muitos, milhares, milhões, e que somados formamos um único organismo.
Por Arno Duarte
Somos o produto de uma soma. Em nossa origem, duas células se juntam e a vida surge, inexplicavelmente. Com o passar dos anos, nosso resultado se dá por outras operações matemáticas. Dividir passa a ser importante. Separar a minha parte do bolo, garantir uma fatia do mercado, dividir o lucro, subtrair despesas, reduzir esforços, cortar o elo mais fraco da corrente, até que se chegue ao último elo, que também será o mais fraco.
Pouco se soma hoje em dia. Fomos criados para sermos individualistas, com necessidades únicas, vontades singulares, e assim desbravamos nossos caminhos. Células solitárias em busca de um fazer sentido para elas mesmas.
Mas seres celulares só fazem sentido quando criam algo com outros seres, outras células. O crescimento só acontece quando algo se soma a nós, e se sozinho queremos evoluir, devagar vamos caminhar. A evolução se dá a partir de conexões externas, de experiências com o outro, de trocas, que na verdade são somas.
A natureza humana é de cooperação, porém o que vemos hoje em dia são esforços cada vez mais escassos de construção coletiva. Nos isolamos na individualidade de nossos pensamentos, dos nossos escritórios, dos nossos empregos, cada um cuidando do seu propósito.
E tudo bem ter um propósito individual, uma meta, um objetivo para chamar de seu. A pergunta é o que aconteceria se você compartilhasse essa vontade com outras pessoas? E se outras pessoas tiverem objetivos semelhantes e vocês puderem somar competências para atingir o resultado de forma coletiva?
Vejo muita gente com sonhos, vontade de fazer a diferença, mudar algo, transformar a vida das pessoas, mas diante da imensidão do mundo, se veem pequenos, frágeis e esmorecem frente ao tamanho dos desafios. Esquecem que ao se somarem a outras pessoas podem se tornar tão grandes quanto os obstáculos que querem transpor. Somados nos tornamos um organismo vivo maior e mais inteligente. Sozinhos, simplificamos nosso potencial e estacionamos nosso crescimento.
Meu convite é para que você pense em que momentos está somando na vida de alguém, ou se está permitindo que alguém se some a você.
O autoconhecimento é um dos caminhos para a construção desses espaços de soma, de troca. Ao buscar a compreensão de quem somos, de nossos medos e limitações, do que nos distancia dos grupos, é possível se relacionar melhor com os outros, promovendo confiança, respeito, transparência, generosidade, lealdade e amor pelo que se faz.
Trabalhemos então o que está limitando nossa habilidade de se relacionar, por um mundo com mais parcerias estratégicas, mais mentes conectadas, mais projetos colaborativos, mais somas de especialidades e de saberes, para que possamos compartilhar os resultados e sucessos da evolução em grupo.
ARNO DUARTE é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.
Confira o artigo no site da About Shoes.
Meditação não é coisa de bicho-grilo
Postado no 2 de junho de 2015 Deixe um comentário
Artigo publicado na Revista About Shoes, edição de junho de 2015
Sabe aqueles dias em que tudo parece estar dando errado no trabalho, a correria é tão grande que você se sente sufocado, com vontade de se esconder no banheiro ou se trancar em uma sala de reuniões para ter um pouco de paz? Quando isso acontecer eu tenho um conselho pra você: pare tudo e apenas respire.
Por Arno Duarte
Não faça nada por alguns minutos, ajeite o corpo, alinhe a coluna, feche os olhos e só respire profundamente. Deixe a mente livre, limpa, vazia. Se surgir um pensamento, agradeça por ele estar ali e o dispense. Observe apenas a sua respiração, a posição do seu corpo, a musculatura dos ombros, relaxe os braços, os músculos da face e siga respirando. Comece praticando esse exercício diariamente por poucos minutos e, com o passar dos dias, aumente o tempo.
Isso é meditação. Um encontro com nós mesmos, para ouvir nossos sentimentos, ansiedades, medos, tensões e deixá-los se dissiparem, relaxando o corpo e o espírito, para focar nossa energia no que nos faz bem naquele momento.
Sim, vai parecer estranho nas primeiras vezes. Você vai se sentir um ET, se achar ridículo, vai querer fazer isso escondido de todo mundo. Não fomos acostumados a olhar pra dentro, ninguém nos ensinou a respirar. Acreditamos que é só uma função orgânica do ser humano para nos mantermos vivos. Mas ao subestimar a respiração, perdemos a consciência da sua função de conexão com nosso corpo físico e emocional.
À medida em que você for praticando a meditação com maior frequência, menos daqueles momentos de emergência, em que dá vontade de sumir, você enfrentará, pois estará mais atento e em equilíbrio, sabendo lidar com maior facilidade com situações de estresse e pressão.
Os efeitos positivos da meditação já são de conhecimento dos povos orientais há milênios. Os ocidentais têm se aproximado da prática há pouco tempo, mas os benefícios para o mental e físico estão conquistando cada vez mais adeptos, mesmo que muitos não comentem em meio aos amigos e colegas, por vergonha ou medo de julgamento.
A prática da meditação ajuda no relaxamento, foco, tranquiliza a mente e nos deixa mais alertas e sensíveis. Pode aumentar a qualidade do sono, diminuir o estresse e reduzir dores de cabeça, por exemplo. Quer mais? Se você busca resultados práticos, ela pode te ajudar a ampliar a consciência sobre seus comportamentos e até abrir caminhos para aquelas mudanças tão desejadas em sua vida.
Existem diversos tipos de meditação e você não precisa fazer cursos ou ir atrás de mestres para começar a praticar. Meditação é um espaço seu, uma maneira de ir para dentro de si mesmo, de perceber que você é mais do que corpo e mente. Você é um estado de espírito. Você é quem transforma a sua realidade no que você quiser.
Faça o teste, e depois dos dez minutinhos de respiração profunda, volte ao trabalho e perceba que o mundo não acabou na sua ausência. A única diferença que vai notar, será a forma como você vai receber e solucionar as questões que antes estavam afetando a sua tranquilidade. Os problemas não vão acabar, mas a forma como você passará a lidar com eles vão te surpreender.
ARNO DUARTE é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.
Felizes para sempre?
Postado no 30 de março de 2015 Deixe um comentário
Artigo publicado no caderno Marcas de Quem Decide, do Jornal do Comércio, em 30 de março de 2015
Por Arno Duarte
Normalmente, uma pessoa é contratada pelo que tem de melhor. Na entrevista, questionamos o candidato sobre suas qualidades, defeitos, projetos que fazem brilhar o olho, histórias de sucesso e fracasso. Mas quando este candidato entra na empresa, recebe uma série de formações para se tornar outra pessoa, adaptada à cultura da corporação. As empresas agem de maneira semelhante ao que as más línguas falam do casamento: você se casa para poder transformar o parceiro em uma pessoa igual a você. E aí é muito provável que isso acabe em divórcio.
Na maioria das organizações, os planos de desenvolvimento individual ou qualquer outro nome e sigla que você dê ao seu processo, são voltadas a transformar os colaboradores em outras pessoas, colocar conteúdo em suas cabeças, fazê-los passar a utilizar formas, metodologias, padrões e processos que não são deles. Perde-se com isso todas as possibilidades que as diferenças podem proporcionar.
Falar em desenvolvimento de pessoas tornou-se uma expressão tão comum, que deixamos de pensar em novas possibilidades para o conceito. Desenvolver pessoas é muito mais do que alinhar conhecimento promovendo treinamentos técnicos ou comportamentais dentro de uma organização.
Os tempos são outros. As novas gerações, cada vez mais, querem trabalhar em projetos nos quais possam utilizar suas melhores características. Não querem mais ficar anos trabalhando em uma mesma empresa. Querem explorar o que tem de melhor no momento. Isso já é um fato.
Surge espaço para ações de aprimoramento das competências individuais, inatas ou adquiridas, e que são naturalmente evidenciadas. Basta um pequeno ajuste no foco do desenvolvimento de pessoas nas organizações para melhorar a pontaria e aperfeiçoar o que cada um tem de bom. Ninguém quer ser mudado, mas todos querem evoluir no que faz seus corações vibrarem.
É a partir do respeito à individualidade que construímos um coletivo melhor. O maior valor de uma organização é o seu colaborador, e uma empresa de valor é a que melhor sabe identificar e potencializar as competências de cada empregado. E gerenciando seus talentos com maestria.
Confira o artigo no site do Jornal do Comércio.
Meu primeiro encontro com a raiva
Postado no 10 de fevereiro de 2015 Deixe um comentário
Artigo publicado no jornal “O Rebelde”, do Namastê, centro de meditações ativas e bioenergética, edição de março de 2015.
Lembro-me, como se fosse hoje, da primeira vez que encontrei verdadeiramente com a raiva. Você pode se perguntar: como assim primeiro encontro, se sentimos raiva o tempo todo? Deixa eu te contar então a minha história.
Por Arno Duarte
Alguns anos atrás, em um trabalho de terapia, um amigo me disse: “você é como uma caixa d’água cheia de raiva, e o que você coloca pra fora é apenas o que foge pelo ladrão”. Eu não entendi direito aquelas palavras, pois achava que eu era um cara que sentia raiva. Somente com o tempo é que fui entender melhor o que se passava comigo.
A raiva é o sentimento mais primitivo do ser humano. Sem ela, ao nascer, nem mesmo respiraríamos. A criança sabe como expressar sua raiva, e faz isso com naturalidade, mas na medida em que crescemos, vamos sendo limitados neste sentimento, e nos adequamos ao que é conveniente ao externo, para sermos aceitos principalmente por nossos pais. Podem pensar que é papo terapêutico, e tal, mas se pergunte: com qual emoção atuando em seu corpo você se sentiu mais poderoso para mudar uma situação que não estava lhe fazendo bem?
Pois, a situação que não estava me fazendo bem era a minha dureza, como se eu vivesse acuado, me protegendo de alguma coisa que poderia acontecer, de algo que poderia me ferir, e que eu nem sabia direito o que era. Essa proteção me afastava das pessoas, e evitar o contato foi a saída que eu encontrei durante a vida para não lidar com aquela raiva acumulada ao longo de tantos anos de repressão. Eu não sabia como gerenciar aquilo, e me assustava quando conectava com aquela emoção primal. O medo era de ficar descontrolado, de machucar alguém, não só fisicamente, mas até com palavras. Eu não queria sentir aquilo. Só que não sentindo raiva eu também deixava de sentir as outras emoções. Eu vivia congelado.
E foi no primeiro encontro real com a minha raiva que tive certeza de que algo havia mudado dentro de mim. E não estou falando daquele pouquinho que saía pelo ladrão. Falo de todo o volume da caixa d’água. Por alguns minutos, que pareceram horas, me permiti sentir toda a raiva possível em meu corpo, e expressá-la sem cortes, sem julgamentos, sem castração, sem controle. Foi como se eu tivesse me transformado no incrível Hulk. O cara pacato que tinha um monstro por dentro, pronto para explodir a qualquer instante. Explodi, coloquei pra fora toda a repressão que transformou minha raiva em ódio. Ao cruzar esta fronteira temida, foi como se a caixa d’água tivesse se esvaziado por completo.
Esse movimento de aceitar a raiva como algo natural abriu espaço para outros sentimentos. Hoje, consigo ver que derrubei uma muralha que cercava o meu coração. A raiva estava disfarçada de armadura, que envolvia os meus sentimentos mais tenros, mais amorosos, mais lindos. A raiva que eu sentia, mas não expressava, me prendia em amarras invisíveis, que controlavam todos os meus sentimentos. Ao mesmo tempo em que eu não expressava aquela raiva, eu também não expressava o meu amor.
Passei a gostar de mim, voltei para o meu corpo, perdi muito peso, que nada mais era do que a representação física do excesso de energia raiva represado no meu corpo.
Quando a caixa d’água de raiva ficou vazia, pude olhar para os sentimentos que me faziam falta e passei a encher o espaço com uma diversidade deles. Compaixão, tesão, alegria, tristeza, amor, e também raiva, mas desta vez, sem medo de ser abduzido por ela. A raiva passou a ser o meu combustível para mudança, uma raiva amorosa, rebelde, de querer o melhor para mim e para quem eu amo.
Ainda sinto medo de expressar minha raiva no dia a dia. Se eu disser o contrário estaria mentindo. A diferença é que hoje tenho uma consciência maior do poder desta emoção e das consequências de deixar de expressá-la. Aceitar a raiva que sinto me dá mais poder e autonomia para fazer as minhas escolhas. Está em minhas mãos agora focar este sentimento em coisas boas, para ter a força necessária para transformar o meu mundo a todo instante.
Confira a versão online do jornal “O Rebelde” em: http://issuu.com/namastepoa/docs/o_rebelde_4
Antagônicos que somos
Postado no 29 de janeiro de 2015 2 Comentários
Quanto mais buscamos concretizar o que nos faz bem, mais trabalhosa é a nossa tarefa em conseguir. É um paradoxo, mas nosso maior temor é justamente conquistar o que desejamos. Não é lógico, eu sei. A explicação para isso está no medo que temos de ser feliz.
Por Arno Duarte
Você foi ao nutricionista, se deu conta que está acima do peso, precisa moderar a alimentação e praticar exercícios. Tem consciência de que isso é importante para a sua saúde e bem estar. Faz a matrícula na academia e, quanto vai começar os treinos, aceita o convite para um happy hour. Toma todas, degusta uns petiscos e volta pra casa arrependido de ter adiado o início das aulas.
Essa história pode variar de personagem, ou mesmo de tema, mas é conhecida por muita gente. Talvez não seja a academia, talvez seja a busca por um novo emprego, talvez seja começar a escrever um livro, talvez seja ligar para aquela pessoa que você está a fim. Escolha o que você quiser imaginar que poderia (ou pode) te realizar. Exemplos não vão faltar.
Registramos na memória todos os acontecimentos de nossa vida. Coisas que vivemos na mais tenra infância, sentimentos, lembranças profundas, tudo é acessado a todo instante em nosso inconsciente, mesmo quando não percebemos.
O ser humano tem uma capacidade imensa de registrar sentimentos negativos. Temos extrema habilidade em proteger a nós mesmos do que não nos faz bem. É o tal instinto de autopreservação, muito útil, convenhamos, quando estamos em situações de risco. Só que este instinto também nos preserva de experimentar novamente qualquer coisa que nos remeta à possibilidade de sentirmos dor, tristeza, frustração ou medo, e com certeza, todos nós já passamos por eles em algum momento da vida.
Na vida adulta, pequenos estímulos trazem à lembrança emoções antigas, remotas, que são revividas como se fossem atuais. A pessoa observa o presente através dos olhos do passado, se utilizando de sentimentos, filtros e crenças, vividos em outra época, para a tomada de decisões de ter ou não uma atitude e mudar uma situação.
Quando visualizamos o que realmente queremos, parece que algo nos trava, inventamos desculpas, não enxergamos o óbvio, procrastinamos ações e temos atitudes que nos levam justamente ao oposto do que desejamos. É o inconsciente trabalhando.
Os motivos são os mais variados, desde medo de não ser capaz, de errar, de se arrepender, de dar certo, vergonha por ser o melhor em algo, frustração por não conseguir, tristeza por vencer os outros, medo de se entregar de coração e se machucar, e assim por diante.
Para a sua mente, a realidade é reviver aquele sentimento que não foi bom no passado, não existe outra possibilidade. E, no seu modo de ver, sua reação também é a única possível: não caminhar em direção ao que te realizaria, evitando assim a possibilidade de sentimentos de dor e perda.
E todos estes fantasmas se manifestam justamente no que você mais deseja, pois este é o ponto realmente relevante para você. Os medos não vão surgir em coisas comuns, pois se estas derem certo ou errado, tanto faz. Não estão conectadas com suas mais importantes vontades.
Tomar consciência dos estímulos e emoções que nos motivam ou paralisam é o primeiro passo para mover energia para a realização do que queremos. Reconhecer que fomos frágeis, que já sofremos no passado, e que esta dor permanece em nós, vai possibilitar perceber a realidade atual de forma diferente, mais madura, permitindo viver como adulto protagonista de escolhas e atitudes nesta época, construtor de um futuro que avança corajosamente, mesmo com medo.
Ser feliz está na moda
Postado no 12 de janeiro de 2015 Deixe um comentário
Artigo publicado na Revista About Shoes, edição de janeiro de 2015
Nunca antes na história deste País as pessoas se preocuparam tanto com a busca pela felicidade. Se no passado o dinheiro era a base do sucesso, hoje as necessidades são outras. Refletir sobre o quão feliz podemos ser agora é prioridade para escolhas de vida e carreira. E esta moda veio pra ficar.
Por Arno Duarte
A revolução pela felicidade é um fenômeno que vem despertando silenciosamente na consciência coletiva. Não existiu nenhum marco zero, ninguém precisou queimar roupas, nem caras pintadas foram às ruas. Em algum momento simplesmente passamos a questionar se a engrenagem “trabalho para gerar dinheiro para gerar consumo” era o único roteiro possível para a vida.
Pensar sobre a importância que damos ao dinheiro versus o custo em longo prazo na nossa qualidade de vida só foi possível graças aos esforços dos nossos pais e avós. Sim, foram eles que proporcionaram a estabilidade econômica e sustento das nossas necessidades básicas, o que nos permitiu ver a vida por outra lente. Diferente da época deles, a relação com o dinheiro hoje em dia é outra. Ainda precisamos garantir o leite das crianças, claro, mas estocar reservas financeiras e aproveitar a vida só depois da aposentadoria deixou de ser sinônimo de realização. Queremos estar felizes durante todo o filme, e não ter apenas um final feliz.
A sociedade atual não está mais em busca de reconhecimento financeiro. As pessoas são mais autoconfiantes e buscam uma satisfação quase que espiritual pelo que vivenciam, pessoal e profissionalmente.
Mas claro que felicidade tem um sentido para cada pessoa, portanto, esteja consciente e faça reflexões diárias sobre como está a sua felicidade nas pequenas atitudes da vida. Coloque a cabeça no travesseiro antes de dormir e pense sobre o seu dia, visualize as coisas que você fez e não gostou, ou os momentos em que se sentiu bem. Quando não percebemos como estamos nos sentindo, seguimos levando a vida como se tudo estivesse bom, e deixamos de agir em direção a algo que nos satisfaça.
Se você perceber que não está feliz em algum aspecto da sua vida, se pergunte: porque permaneço assim? Deixe de se conformar com a situação, seja ela qual for. Nenhuma escolha é eterna, por mais certa ou errada que tenha sido no passado. O presente é agora, e o futuro você constrói como quiser. Se algo não vai bem, está em suas mãos transformar o que quer viver em felicidade. A partir desta identificação, avalie um contexto mais amplo de vida, de necessidades, vontades, desejos, e então, trace um plano estratégico pessoal com objetivo de se sentir feliz por inteiro.
O caminho da felicidade está em manter o equilíbrio entre todos os aspectos da vida, sem nunca se esquecer de consultar quem você está sendo durante esta travessia. Mantenha em vista os seus propósitos e tenha consciência sobre as verdadeiras razões por que você faz todas as coisas que faz todos os dias. Escolha viver o tipo de vida que você quer viver.
Ser feliz é um estilo de vida que desafia o convencional. Se os seus passos estiverem sincronizados com o que te fez bem, a alegria em seu rosto e sua atitude vão projetar você para as realizações que merece.
Quando se está neste estado de espírito, você não só vive uma grande vida, mas também multiplica esta nova referência de sucesso para quem está a sua volta. E que coisa boa se este comportamento permanecer na moda por muitas e muitas estações.
Faça download do PDF da reportagem clicando na imagem abaixo:
Em busca do equilíbrio
Postado no 22 de dezembro de 2014 Deixe um comentário
Reportagem publicada na Revista Expansão RS, edição de dezembro de 2014
Em tempos em que as pessoas andam cada vez mais à procura de satisfação, encontrar um trabalho que contribua para a felicidade é sinônimo de realização pessoal
Por Juliana Berwig
“Escolha um ofício que você ame e não terá de trabalhar um único dia de sua vida.” O famoso ditado, proferido pelo pensador Confúcio muito antes da implantação dos departamentos de recursos humanos nas empresas, parece que nunca fez tanto sentido. Com rotinas cada vez mais exaustivas, a pressão constante por resultados e um clima de competição permanente no ar, muitos profissionais andam com pouco tempo para lembrar os motivos aos quais os levaram a seguir a carreira que optaram. Mais do que isso: sentem-se insatisfeitos e reclamam de aspectos como falta de reconhecimento no ambiente corporativo ou baixa remuneração para o cargo que ocupam. Apesar de todos os percalços, especialistas mostram que é possível encontrar a felicidade no trabalho e ainda ser mais confiante em relação à própria existência após o expediente.
Visão dos analistas
De acordo com um estudo realizado pela Gallup – uma das maiores empresas de pesquisa de opinião do mundo –, a maioria das pessoas está insatisfeita com seu emprego. O relatório apontado pela empresa mostrou que 72% das pessoas não encontram prazer na atividade que exercem ou têm problemas relacionados ao ambiente de trabalho. Mais do que isso: 18% estão ‘ativamente desengajadas’ e demonstram até mesmo interesse em prejudicar a própria empresa em que atuam.
Na visão dos analistas do estudo, uma em cada cinco pessoas está desmotivada, aspecto que não está relacionado aos baixos salários, mas à falta de vocação para a atividade desenvolvida. O índice de pessoas engajadas – ou seja, que realmente estão entusiasmadas com seu trabalho – varia ao ano dentro de uma taxa de 28% a 30%, ainda de acordo com a pesquisa, que ouviu pessoas de diversas partes de planeta.
Plano estratégico
Em meio às tantas perspectivas negativas, uma dúvida paira na cabeça de quem ainda teme as noites de domingo e seu anúncio de que a segunda-feira está chegando: é possível ser feliz no trabalho? Para Arno Duarte, consultor da Favoo Desenvolvimento Humano, o assunto tem um caráter muito pessoal e deve ser encarado a partir de uma análise profunda de desejos e motivações.
“Nenhuma escolha é eterna, por mais certa ou errada que tenha sido no passado. O presente é hoje e o futuro somos nós que construímos. Se algo não vai bem, está em nossas mãos transformar o que queremos viver em felicidade”, destaca o consultor. “A partir desta identificação, é preciso avaliar um contexto mais amplo de necessidades e vontades, e, então, traçar um plano estratégico pessoal com o objetivo de se sentir feliz por inteiro”, acrescenta. Ele chama a atenção para o fato de que muitas pessoas insistem em acreditar que é possível separar vida pessoal e profissional.
Poder das escolhas
Em recente palestra no Congresso Estadual sobre Saúde e Trabalho, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH/RS), o especialista em gestão de pessoas Nelson Bittencourt também realçou o fato de que muitas pessoas ainda não pararam para reavaliar suas escolhas profissionais e se acomodam em carreiras pouco satisfatórias. “A felicidade não está em lugar algum a não ser no seu cérebro, aliás, é ele quem promove a produtividade. As pessoas que não sabem por que trabalham não são felizes, caminham em direção ao nada, pois quando não se sabe para onde se quer ir, qualquer lugar vai servir”, revela.
O consultor ainda afirma que provocar a mudança é um processo doloroso e necessário, assim como saber diferenciar trabalho e emprego. “Enquanto um é fonte de vida, o outro é fonte de renda. O ideal é que os dois processos estejam unidos”, enfatiza. Para ele, é preciso menos drama e mais comédia para enfrentar o problema da falta de satisfação com a vida profissional. “Chega de ‘mimimi’, vamos adotar o ‘hahaha’. Se o trabalho não está trazendo felicidade, procure encontrar um caminho diferente”, aconselha.
Para deixar o marasmo de lado – e saber equilibrar trabalho e emprego em uma mesma realidade – o especialista aconselha que as pessoas se empenhem em descobrir um novo ponto de partida. Desta forma, segundo o consultor de recursos humanos, o indivíduo deve perceber que as metas desejadas estão mais perto do que se imagina e que podem ser facilmente alcançadas a partir de alguns pequenos ajustes na rotina. “A frase – querer não é poder – está equivocada. Se eu apenas quiser algo, jamais chegarei perto do meu desejo”, ressalta.
Papel das empresas
Em um mundo cada vez mais dinâmico e conectado, até mesmo as relações entre empresas e empregadores andam passando por mudanças que não podem ser ignoradas. Se no passado, manter-se no trabalho a todo o custo – mesmo alheio à própria infelicidade – era a regra, nos dias de hoje o jogo mudou e os colaboradores querem se sentir parte de algo maior. “As gerações atuais não estão mais em busca de reconhecimento financeiro e tampouco de elogios.
Os profissionais do futuro e do presente são autoconfiantes e estão atrás de uma satisfação quase que espiritual pelo trabalho que realizam. A economia é estável e há alta oferta de serviço para quem tem vontade e quer empreender”, comenta Duarte. Com o dinheiro deixando de ser o objetivo principal, o ambiente de trabalho tem um peso redobrado, assim como a escolha certa de qual caminho seguir na carreira.
Apesar da insatisfação com o trabalho partir de questões pessoais, muitas companhias estão se empenhando em trazer mais motivação para a vida dos funcionários. Cada vez mais na pauta dos empregadores, ações como horários flexíveis, aperfeiçoamento pessoal e até mesmo benefícios como massagens e descansos atrai quem busca um trabalho em sintonia com uma vida mais saudável. “Ninguém mais quer ser parte de uma boiada, pois somos seres únicos e queremos ser tratados como tal. Além da questão da conexão entre propósito empresarial e individual, acredito que as empresas, na figura de seus líderes, precisam atuar mais no compreender as necessidades específicas de cada pessoa”, enfatiza Duarte. Aos colaboradores, cabe o compromisso de dar o melhor de si e o mais importante: estar em sintonia consigo e com o resto da equipe.
Por Arno Duarte, consultor da Favoo Desenvolvimento Humano:
- Faça reflexões diárias sobre como está a sua felicidade nas pequenas atitudes da vida – É importante praticar exercícios simples, como colocar a cabeça no travesseiro antes de dormir e pensar sobre o seu dia, perceber coisas que você fez e não gostou, ou com o que se sentiu bem, fará você ter novas atitudes no dia seguinte, no outro e no outro. Quando não percebemos como estamos nos sentindo, seguimos levando a vida como se tudo estivesse bem, e deixamos de agir em direção a algo que nos satisfaça.
- Busque formas de entender melhor a si, sua origem, como lidar com as emoções, o que lhe motiva e faz o seu coração vibrar – Ações como terapia, análise, coaching ou outros processos de autoconhecimento podem ajudar a ter um propósito mais claro de vida.
- Conte o seu plano para outras pessoas – No momento em que compartilhamos nosso planejamento e propósito, novas ideias e alternativas surgem para nos ajudar a atingir os objetivos.
- Tenha um plano de vida e carreira, com metas, objetivos e ações bem definidas, alinhado ao seu propósito – Se você não tem um caminho definido, você vai acabar tomando um caminho qualquer. Nem sempre este será o que o levará até a sua felicidade. Portanto, assuma as rédeas e direcione a sua energia para a rota adequada ao que o faz sentir-se bem.
- Seja o ator principal do roteiro da sua vida – Considere que qualquer coisa é possível de ser realizada, e que a condição para isso está em suas mãos. Deixe de se colocar em posição de vítima, atribuindo aos outros os seus insucessos, e assuma a responsabilidade por suas decisões, sejam elas certas ou erradas. O nível da sua felicidade será diretamente proporcional ao nível de protagonismo que você assume em sua vida.
Faça download do PDF da reportagem clicando na imagem abaixo:

A felicidade é o caminho
Postado no 10 de dezembro de 2014 Deixe um comentário
A matéria especial “Felicidade é o caminho”, publicada na Revista Conexão InBetta, edição 2 de dezembro de 2014, teve um box com uma entrevista comigo. A revista é voltada ao público interno da empresa, e conta também com depoimentos dos colaboradores sobre o que os faz felizes no ambiente de trabalho e vida pessoal. Parabéns aos líderes do Grupo InBetta por estimular esta reflexão em nível corporativo. Ser feliz não é uma realidade distante, pelo contrário, é um sentimento para ser desfrutado sempre que possível.
Confira abaixo o trecho da reportagem:
Um movimento constante
A tão desejada felicidade não precisa ser um sonho distante. O consultor em desenvolvimento humano da Favoo, Arno Duarte, afirma que é possível e necessário construí-la a cada dia. “Tem de ser um movimento constante. Se você está em um momento feliz, ótimo. Se não, está na sua mão fazer diferente. É preciso ser o protagonista da sua história”, ensina.
Para isso, Arno defende que há três pilares que sustentam esse plano de felicidade, tanto pessoal quanto profissional, e permitem trilhar um caminho com muito mais sorrisos:
Estratégia: você precisa saber aonde quer chegar. Quando não se tem um objetivo, qualquer problema gera frustração. É preciso ter uma ideia do que o faz feliz e se dedicar a alcançá-la.
Autoconhecimento: observe-se no dia a dia. Antes de dormir, reserve cinco minutos para se perguntar: “com o que eu fiz hoje, estou seguindo no caminho certo? Eu me senti bem? Essas ações me aproximam do meu objetivo?”. O importante é ter consciência do que está fazendo e, se não se sentir bem, mudar atitudes no outro dia.
Colaboração: ninguém faz nada sozinho. Procure entender quem, do seu círculo de amizades, pode ajudá-lo na sua busca pelos objetivos. Conversar com as pessoas torna as vivências mais reais, a troca é muito rica. A convivência nos ajuda a evoluir.
Arno Duarte 













